PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
GLOBALIZAÇÃO, EMANCIPAÇÃO E CIDADANIA
PÁGINA DO LIVRO: 238
O termo globalização começou a ser utilizado nas décadas de 1980 e 1990 para descrever um fenômeno de internacionalização econômica que envolveu aspectos como o desenvolvimento de novas tecnologias de transporte e de comunicação e informação que transformaram as décadas seguintes.
Ao analisar as consequências locais e mundiais da globalização, observa-se que o início do século XXI tem sido caracterizado por uma intensificação das trocas comerciais e culturais entre nações, mas também pela ampliação das desigualdades econômicas, tecnológicas e sociais, com concentração de riqueza e aumento da pobreza. O avanço nos meios de transporte, por exemplo, facilitou a propagação de doenças, como a covid-19. No âmbito individual, tem sido registrado um crescimento de diversas formas de adoecimento mental causadas principalmente por depressão e ansiedade. Nesse contexto, movimentos voltados para a emancipação e a garantia do exercício da cidadania têm atuado com o objetivo de frear os impactos negativos desse processo.
A unidade “Globalização, emancipação e cidadania” está presente nos quatro volumes desta coleção de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Confira, no quadro a seguir, os capítulos de cada componente que contribuem para a abordagem da temática desta unidade.
Movimentação de passageiros na área de check-in do Aeroporto Internacional do Recife, no estado de Pernambuco. Fotografia de 2022. O elevado fluxo internacional de pessoas é um dos fatores que caracteriza o fenômeno da globalização.
NA PRÁTICA
A homogeneização ou padronização cultural, o excesso de individualismo, o consumo exacerbado e a preocupação constante com a autoimagem são fenômenos contemporâneos que estão direta ou indiretamente relacionados à globalização. Esses fenômenos permeiam as relações interpessoais e influenciam significativamente o modo de vida das sociedades ocidentais, bem como a construção das subjetividades. Alguns pesquisadores têm associado tais fenômenos ao crescimento de diversas formas de adoecimento mental.
Um estudo publicado em 2023 e conduzido por Michael Daly, da Universidade de Maynooth (Irlanda), e Lucía Macchia, da Universidade Cidade de Londres (Reino Unido), revelou o aumento, de 2009 a 2021, do sofrimento emocional em boa parte do mundo. De acordo com o estudo, que entrevistou 1,53 milhão de pessoas em 113 países, houve, no período analisado, aumento da percepção de angústia, tristeza, estresse, preocupação e raiva, sentimentos associados ao chamado sofrimento emocional. Apesar de ter sido constatado aumento significativo de sofrimento emocional em todos os grupos demográficos investigados, o estudo apontou, ainda, que as taxas são maiores nas populações mais desfavorecidas. Isso é explicado por desigualdades socioeconômicas que geram insegurança econômica, instabilidade política e coesão social reduzida.
Mulher diante do espelho, pintura de Pablo Picasso, 1937. A preocupação excessiva de homens
e mulheres com a autoimagem tem sido uma das causas de sofrimento emocional.
1. Reflita sobre como você lida com o individualismo, o consumo e a autoimagem. Compartilhe sua reflexão com os colegas.
2. Juntos, discutam como a angústia, a tristeza, o estresse e a preocupação podem afetar o dia a dia das pessoas.
3. Conte para seus colegas o que você costuma fazer para cuidar de sua saúde física e mental. Ouça também o que eles têm a dizer sobre essa mesma questão.
RESPOSTAS E COMENTÁRIOS
1. e 2. Relatar suas percepções sobre angústia, tristeza, estresse, preocupação e raiva. Em seguida, analisar como esses sintomas podem afetar o cotidiano das pessoas. Espera-se que se baseiem nas próprias experiências e nas de familiares e amigos. No entanto, é preciso criar um ambiente propício para a reflexão pessoal, em que os estudantes se sintam confortáveis para se expor e compartilhar experiências pessoais com os colegas. Também deve ser incentivada a refletir sobre como lidar com o individualismo, o consumo e a autoimagem. Identificar, por exemplo, como equilibram seus interesses individuais em contextos coletivos, como gerenciam suas necessidades reais e supérfluas em relação ao consumo de produtos e qual é o nível de preocupação com sua própria imagem perante os outros.
3. Cada estudante deve ser instigado a compartilhar suas práticas diárias de autocuidado, em relação tanto à saúde física como à mental. Espera-se uma variedade de respostas, refletindo a natureza individualizada do autocuidado. De todo modo, práticas comuns como a atividade física regular, sono adequado e alimentação saudável podem ser frequentemente mencionadas pelos estudantes.
Criada em 2013, a campanha enfatiza a importância da conscientização sobre o tema
https://portal.pucrs.br/noticias/saude/5-dicas-para-cuidar-da-saude-mental-e-emocional-o-ano-todo/#:~:text=3)%20Cuide%20do%20corpo,ter%20uma%20noite%20mais%20tranquila.
Cuidar do bem-estar mental é tão crucial quanto cuidar da saúde física. A iniciativa do Janeiro Branco, concebida pelo psicólogo Leonardo Abrahão em 2013 e transformada em lei em 2023, busca conscientizar a sociedade sobre a importância da saúde mental. Em 2025, a campanha “O que fazer pela saúde mental agora e sempre?” propõe uma reflexão profunda sobre a necessidade de dedicar atenção a si e ao todo, com respeito e carinho.
No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 86% da população sofre de algum tipo de transtorno mental, como fobias, depressão, transtornos de ansiedade e personalidade, entre outros. O País também conta o maior número de pessoas ansiosas: 9,3% da população brasileira sofre com a doença.
Para enfatizar importância da conscientização sobre o tema, a professora Rita Petrarca, do curso de Psicologia da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS, preparou sugestões de como começar o ano cuidando bem da mente e do emocional. Confira as dicas de como cuidar das emoções, comportamentos e da qualidade das suas relações afetivas:
No meio das obrigações diárias, é essencial fazer uma pausa para respirar. Descanse e reserve um tempo do seu dia para desfrutar de algo que lhe dê prazer: assistir a uma série, dar um passeio, ler um livro interessante, dançar. O importante é que a atividade seja agradável.
Leia também: Hábito de leitura estimula o cérebro e promove benefícios para a saúde mental
Tente manter uma organização na realização das tarefas de aula e trabalho, equilibrando as responsabilidades com as atividades de lazer e descanso. Utilizar plataformas de organização e métodos de gestão do tempo podem te ajudar.
Praticar atividades físicas ajuda na liberação de substâncias no organismo que causam as sensações de bem-estar, conforto e melhoram o humor, além de fazer bem à saúde. Lembre-se de dormir bem para descansar o corpo e a mente, além de se hidratar e manter uma alimentação equilibrada. Antes de dormir, evite usar o celular e aparelhos eletrônicos para ter uma noite mais tranquila.
Busque estar próximo das pessoas que você ama e te fazem bem, como família, amigos e amigas, mesmo que virtualmente. Os bons relacionamentos são fundamentais para a saúde mental e ajudam a fazer com que a vida tenha sentido.
Preste atenção em você. Se estiver com dificuldades em lidar com as suas emoções, com a realidade desse momento ou com frustrações, procure uma ajuda profissional. Existem diferentes alternativas de profissionais e serviços de psicologia que podem lhe auxiliar a lidar com os momentos difíceis da vida. Lembre-se que é importante falar sobre saúde mental de janeiro a janeiro. Ninguém precisar estar só.
Alguns serviços que oferecem ajuda são o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188 ou no chat do site. Para quem faz parte da comunidade acadêmica da PUCRS, o Núcleo de Apoio Psicossocial do Centro de Apoio Discente oferece a assistência para aqueles que precisam. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (51) 3320-3703 ou no e-mail apoio.psicossocial@pucrs.br.
Conceito de Globalização
Globalização é o processo de integração econômica, cultural, política e social entre países.
Pensadores importantes:
* Zygmunt Bauman – fala sobre a modernidade líquida, onde tudo é instável e as relações são rápidas e superficiais.
* Milton Santos – critica a globalização como sendo desigual, beneficiando mais os países ricos.
* Karl Marx – já discutia a expansão do capitalismo pelo mundo.
QUESTIONAMENTOS
A globalização aproxima as pessoas ou aumenta as desigualdades?
Quem ganha e quem perde?
A cultura local desaparece?
Existe liberdade real nesse sistema?
ATIVIDADE DE PROBLEMATIZAÇÃO
A cultura local é ameaçada por uma cultura global dominante? Exemplo: redes como Netflix e McDonald's estão presentes em vários países.
EXPLIQUE: Isso enriquece ou padroniza as culturas?
A globalização aumenta a riqueza mundial, mas também amplia desigualdades.
EXPLIQUE: É possível uma globalização mais justa?
“Vivemos em um mundo conectado, mas será que estamos realmente mais unidos?”
EXPLIQUE: A internet aproxima ou isola as pessoas?
DEBATE
Grupo 1: Defender que a globalização é positiva.
* Grupo 2: Defender que a globalização é negativa.
* Grupo 3: Propor uma “globalização alternativa” mais justa.
Cada grupo apresenta argumentos.