PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
3º ANO – APOSTILA – SOCIOLOGIA – 1º TRIMESTRE
Sociedade e meio ambiente
· A relação entre seres humanos e o meio ambiente é um dos principais debates atuais
· O capítulo aborda o tema com base em dados, informações técnicas e pesquisas
· Inclui reflexões sobre questões socioambientais
· Considera construções e vivências históricas de diferentes grupos sociais
· Destaca especialmente os grupos mais afetados pelos problemas socioambientais
· Enfatiza a busca por soluções para esses problemas
O que significa meio ambiente?
· O meio ambiente não envolve apenas natureza (animais, plantas, rios, montanhas), mas também o ser humano.
· Nas ciências humanas, o meio ambiente é entendido pelas relações entre sociedade e natureza.
· Não faz sentido separar a natureza do ser humano e da sociedade.
· As transformações na natureza dependem do modo de vida dos grupos sociais.
· O uso dos recursos naturais atende necessidades biológicas e sociais das pessoas.
· A história das sociedades está ligada às relações com o meio ambiente.
· O meio ambiente faz parte da construção das sociedades e também gera conflitos ao longo da história.
Imagens em contexto
Entre 1985 e 2020, a extração de minérios em terras indígenas da Amazônia cresceu mais de 1000%.
O estudo foi feito por pesquisadores do INPE e da Universidade do Sul do Alabama (EUA).
Os povos indígenas mais afetados são: Kayapó, Yanomami e Munduruku.
A mineração ilegal contamina fontes de água potável.
Há impactos negativos na biodiversidade.
A segurança alimentar das populações indígenas é prejudicada.
A problemática socioambiental
No século XIX, a Europa passou por mudanças econômicas e políticas que transformaram sociedades agrícolas em industriais e urbanas.
Essa transformação criou uma ideia de oposição entre natureza e atividades humanas.
O uso intenso de recursos naturais aumentou para sustentar o desenvolvimento tecnológico e o consumo nas sociedades capitalistas.
A visão eurocêntrica separa ser humano e natureza, enquanto povos originários entendem o ser humano como parte da natureza.
Entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, surgiram alertas sobre os impactos negativos do modelo de produção e consumo no meio ambiente.
Esses estudos deram origem às questões socioambientais como campo de investigação.
Nem todas as sociedades causam danos ambientais da mesma forma; os principais problemas vêm da lógica colonial e capitalista.
Povos tradicionais utilizam os recursos naturais de forma sustentável, respeitando os ciclos da natureza.
Nos séculos XIX e XX, o avanço tecnológico aumentou a produção, a oferta de alimentos e a expectativa de vida.
Porém, esse modelo também levou ao esgotamento dos recursos naturais.
As questões ambientais como tema das ciências sociais
Desde os anos 1970, o debate sobre preservação ambiental se ampliou e passou a envolver vários setores da sociedade.
Grupos como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e movimentos sociais criticam a degradação ambiental, apontando que ela não gera crescimento econômico nem reduz desigualdades.
A sociologia passou a se preocupar com o tema ambiental junto ao crescimento de protestos contra a degradação e à percepção de que tecnologias predatórias estão ligadas ao capitalismo.
A degradação ambiental gera consequências sociais contrárias aos ideais de progresso e emancipação humana.
O consumo acelerado de recursos e a industrialização criam problemas sociais e ambientais, beneficiando alguns grupos em prejuízo de outros.
Atividades como descarte de lixo industrial, produção de energia e construção de infraestrutura têm impactos desiguais na sociedade.
No Brasil, desastres e problemas ambientais (como rompimentos de barragens, desmatamento, queimadas e grandes obras) intensificam os debates.
Esses casos levantam dúvidas sobre a viabilidade do desenvolvimento sustentável, que propõe conciliar crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental.
SUGESTÃO DE PESQUISA
Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil
· Parte superior do formulário
· Site dedicado à divulgação de um projeto desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional.
· Conta com apoio do Ministério da Saúde.
· Apresenta um mapeamento inicial de lutas de diversas populações e grupos.
· Destaca comunidades afetadas em seus territórios por projetos e políticas.
· Aborda impactos de um modelo de desenvolvimento considerado insustentável.
· Enfatiza prejuízos à saúde dessas populações.
Imagens em contexto
· Em 2023, cerca de 5 mil famílias tiveram que deixar suas casas em Maceió.
· O motivo foi o rompimento parcial de uma mina de sal-gema localizada sob a laguna de Mundau.
· Na superfície, ocorreram tremores de terra, afundamento do solo e rachaduras nas construções.
· O sal-gema é utilizado na produção de soda cáustica e PVC.
· A extração desse mineral na região acontece desde a década de 1970.
· O bairro Mutange foi uma das áreas mais afetadas pelo afundamento causado pela mineração subterrânea.
As desigualdades e os problemas ambientais
A conscientização ambiental nem sempre reduz desigualdades; às vezes, pode ampliá-las.
Empresas transnacionais transferem atividades poluentes para países em desenvolvimento, aproveitando:
Legislação ambiental menos rígida
Mão de obra mais barata
Essa prática aumenta os lucros das empresas e aprofunda desigualdades socioeconômicas.
Dentro dos países, também existem desigualdades entre classes sociais e grupos tradicionais.
Essas desigualdades exigem:
Ação de movimentos sociais
Políticas públicas
Novas formas de organização econômica
A Organização das Nações Unidas passou a ter papel importante no debate sobre desenvolvimento após a Segunda Guerra Mundial.
O desenvolvimento de um país impacta o mundo todo, devido a:
Uso de recursos naturais
Emissão de poluentes
Efeitos nas migrações e no comércio internacional
A sociologia passou a estudar:
Os impactos do desenvolvimento nas gerações futuras
A responsabilidade dos países
Também analisa:
Conflitos sociais ligados ao acesso desigual aos recursos naturais.
Benefícios concentrados em certos grupos.
Destaca-se a relação entre:
Problemas ambientais
Modelos de desenvolvimento econômico e organização social.
Comunidades indígenas e tradicionais (especialmente na América Latina):
São mais afetadas por problemas ambientais.
Têm suas propostas incluídas no debate atual.
Parte superior do formulário
Mobilização de lideranças indígenas em 2016
Objetivo: alertar a opinião pública sobre impactos negativos de barragens no Tapajós
Bacia do Tapajós abrange MT, PA, AM e RO
Área de quase 500.000 km² (cerca de 6% do Brasil)
Presença de 30 Unidades de Conservação e 34 Terras Indígenas
Planejamento de 44 hidrelétricas na região
Construção de hidrelétricas é controversa
Possíveis impactos: desmatamento, perda de biodiversidade, mudanças nos rios, deslocamento de populações
Consequências atingem mais as populações vulneráveis
Aumento da desigualdade social devido aos impactos ambientais
Agricultura, concentração de terras e fome
Debate sobre fome e pobreza é importante na sociologia e ligado a questões socioambientais.
Teoria malthusiana (século XIX): fome seria causada pelo crescimento populacional maior que a produção de alimentos.
Essa teoria foi criticada e superada no século XX.
Novos debates focam no modelo de desenvolvimento ligado ao capitalismo.
Mesmo com avanços tecnológicos e alta produção de alimentos, ainda há milhões em pobreza extrema e fome.
Existe concentração de terras nas mãos de poucos.
Produção de alimentos é voltada ao lucro, não à necessidade social.
Contradição: alta produção x persistência da fome.
Fome e pobreza não são causadas por falta de tecnologia ou recursos naturais.
São consequência de problemas políticos, sociais e econômicos.
O mercado não consegue distribuir riqueza e alimentos de forma justa.
Superação da fome depende de políticas públicas e garantia de direitos sociais.
Necessidade de repensar o modelo de desenvolvimento.
Josué de Castro:
Estudou a fome no Brasil na obra Geografia da Fome.
Defendeu que a fome não é natural nem causada pela superpopulação.
Apontou causas políticas e econômicas.
Destacou a importância da reforma agrária para melhorar o abastecimento alimentar.
Imagens em contexto
· Insegurança alimentar: falta de acesso regular a alimentos suficientes em quantidade e qualidade.
· Insegurança alimentar grave: quando a pessoa passa fome, podendo ficar um dia inteiro ou vários dias sem comer.
· Insegurança alimentar moderada: quando a pessoa precisa reduzir a quantidade ou qualidade da alimentação em certos períodos por falta de renda ou recursos.
ATIVIDADES – RESPONDA NO CADERNO
1. Compare a situação de insegurança alimentar nos espaços rural, urbano e periurbano.
2. Analise os dados do gráfico mobilizando seus conhecimentos de geografia e a discussão sobre desenvolvimento tecnológico para produção de alimentos, logica do sistema capitalista e desigualdades sociais.
A fome no Brasil
A fome no Brasil está ligada à desigual distribuição de terras.
Grandes propriedades concentram terras nas mãos de poucos e priorizam a produção para exportação e lucro.
Apesar de avanços tecnológicos, há aumento da produção junto com maior desigualdade na distribuição de alimentos.
Apenas cinco produtos agrícolas ocupam 70% das terras (soja, milho, cana-de-açúcar, feijão e arroz).
A soja cresceu muito (221%), enquanto feijão e arroz ficaram estagnados.
Mais de 60% da soja é destinada à exportação, mostrando foco no mercado externo.
Mesmo com maior produção, o sistema agrícola não garante acesso aos alimentos para toda a população.
Em 2022, 58,7% dos brasileiros viviam com insegurança alimentar.
Movimentos sociais defendem políticas públicas para combater a fome.
Propõe-se a reforma agrária, para democratizar o acesso à terra.
A reforma envolveria a desapropriação de grandes latifúndios pelo Estado, conforme o Estatuto da Terra.
A fome no mundo
Após a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, os países enfrentaram desafios para reorganizar a sociedade e garantir a sobrevivência da população.
Surgiu a defesa do Estado de bem-estar social, com atuação na economia para garantir direitos e condições mínimas de vida.
O Estado passou a ser visto como principal responsável pela coesão social, assegurando direitos civis, políticos e sociais.
Apesar disso, modelos de desenvolvimento continuam favorecendo grupos econômicos e políticos mais poderosos.
A pobreza e a fome tornaram-se endêmicas em certas regiões, especialmente em áreas rurais da América Latina, África e Ásia.
Populações tradicionais dessas regiões ainda sofrem impactos da colonização e da desigualdade na distribuição de terras.
A exploração de recursos naturais por grandes empresas gera problemas como violência, desmatamento e esgotamento ambiental.
Organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas, defendem políticas globais específicas para essas regiões.
Durante a Guerra Fria, países capitalistas como Estados Unidos e Reino Unido buscaram reduzir a pobreza para evitar influência soviética.
Após o fim da Guerra Fria, com o avanço do neoliberalismo, houve redução dessas políticas.
Como consequência, a fome continua sendo uma realidade para milhões de pessoas no mundo.
ATIVIDADES – RESPONDA NO CADERNO
1. Indique o(s) continente(s) onde se localiza(m) o(s) pais(es) com índice muito alto de insegurança alimentar.
2. Mobilize seus conhecimentos de geografia e explique a relação entre as cores e os valores da legenda.
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore apresenta uma análise da questão do aquecimento global, mostrando os mitos e equívocos existentes em torno do tema e também possíveis saídas para que o planeta não passe por uma catástrofe climática nas próximas décadas.
DOCUMENTÁRIO: UMA VERDADE INCONVENIENTE - 2006
Este documentário é um sinal de alerta que destrói mitos e suposições incorretas mostrando que o aquecimento global é um perigo real e presente. "Uma Verdade Inconveniente" traz à tona o argumento de Gore de que precisamos agir agora para salvar a Terra.