PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
3º ANO – APOSTILA – SOCIOLOGIA – 1º TRIMESTRE
Sociedade e meio ambiente – PÁGINA 220
· A relação entre seres humanos e o meio ambiente é um dos principais debates atuais.
· O capítulo aborda o tema com base em dados, informações técnicas e pesquisas.
· Inclui reflexões sobre questões socioambientais.
· Considera construções e vivências históricas de diferentes grupos sociais.
· Destaca especialmente os grupos mais afetados pelos problemas socioambientais.
· Enfatiza a busca por soluções para esses problemas.
O que significa meio ambiente? – PÁGINA 220
· O meio ambiente não envolve apenas natureza (animais, plantas, rios, montanhas), mas também o ser humano.
· Nas ciências humanas, o meio ambiente é entendido pelas relações entre sociedade e natureza.
· Não faz sentido separar a natureza do ser humano e da sociedade.
· As transformações na natureza dependem do modo de vida dos grupos sociais.
· O uso dos recursos naturais atende necessidades biológicas e sociais das pessoas.
· A história das sociedades está ligada às relações com o meio ambiente.
· O meio ambiente faz parte da construção das sociedades e também gera conflitos ao longo da história.
Imagens em contexto - PÁGINA 220
*REGISTRO AÉREO MINERAÇÃO ILEGAL - 2023
Entre 1985 e 2020, a extração de minérios em terras indígenas da Amazônia cresceu mais de 1000%.
O estudo foi feito por pesquisadores do INPE e da Universidade do Sul do Alabama (EUA).
Os povos indígenas mais afetados são: Kayapó, Yanomami e Munduruku.
A mineração ilegal contamina fontes de água potável.
Há impactos negativos na biodiversidade.
A segurança alimentar das populações indígenas é prejudicada.
A problemática socioambiental – PÁGINA 220
No século XIX, a Europa passou por mudanças econômicas e políticas que transformaram sociedades agrícolas em industriais e urbanas.
Essa transformação criou uma ideia de oposição entre natureza e atividades humanas.
O uso intenso de recursos naturais aumentou para sustentar o desenvolvimento tecnológico e o consumo nas sociedades capitalistas.
A visão eurocêntrica separa ser humano e natureza, enquanto povos originários entendem o ser humano como parte da natureza.
Entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, surgiram alertas sobre os impactos negativos do modelo de produção e consumo no meio ambiente.
Esses estudos deram origem às questões socioambientais como campo de investigação.
Nem todas as sociedades causam danos ambientais da mesma forma; os principais problemas vêm da lógica colonial e capitalista.
Povos tradicionais utilizam os recursos naturais de forma sustentável, respeitando os ciclos da natureza.
Nos séculos XIX e XX, o avanço tecnológico aumentou a produção, a oferta de alimentos e a expectativa de vida.
Porém, esse modelo também levou ao esgotamento dos recursos naturais.
As questões ambientais como tema das ciências sociais – PÁGINA 222
Desde os anos 1970, o debate sobre preservação ambiental se ampliou e passou a envolver vários setores da sociedade.
Grupos como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e movimentos sociais criticam a degradação ambiental, apontando que ela não gera crescimento econômico nem reduz desigualdades.
A sociologia passou a se preocupar com o tema ambiental junto ao crescimento de protestos contra a degradação e à percepção de que tecnologias predatórias estão ligadas ao capitalismo.
A degradação ambiental gera consequências sociais contrárias aos ideais de progresso e emancipação humana.
O consumo acelerado de recursos e a industrialização criam problemas sociais e ambientais, beneficiando alguns grupos em prejuízo de outros.
Atividades como descarte de lixo industrial, produção de energia e construção de infraestrutura têm impactos desiguais na sociedade.
No Brasil, desastres e problemas ambientais (como rompimentos de barragens, desmatamento, queimadas e grandes obras) intensificam os debates.
Esses casos levantam dúvidas sobre a viabilidade do desenvolvimento sustentável, que propõe conciliar crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental.
SUGESTÃO DE PESQUISA – PÁGINA 223
Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil
· Parte superior do formulário
· Site dedicado à divulgação de um projeto desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional.
· Conta com apoio do Ministério da Saúde.
· Apresenta um mapeamento inicial de lutas de diversas populações e grupos.
· Destaca comunidades afetadas em seus territórios por projetos e políticas.
· Aborda impactos de um modelo de desenvolvimento considerado insustentável.
· Enfatiza prejuízos à saúde dessas populações.
Imagens em contexto
*MANIFESTAÇÃO EM TERRA INDÍGENA - 2016
· Em 2023, cerca de 5 mil famílias tiveram que deixar suas casas em Maceió.
· O motivo foi o rompimento parcial de uma mina de sal-gema localizada sob a laguna de Mundau.
· Na superfície, ocorreram tremores de terra, afundamento do solo e rachaduras nas construções.
· O sal-gema é utilizado na produção de soda cáustica e PVC.
· A extração desse mineral na região acontece desde a década de 1970.
· O bairro Mutange foi uma das áreas mais afetadas pelo afundamento causado pela mineração subterrânea.
As desigualdades e os problemas ambientais – PÁGINA 223
A conscientização ambiental nem sempre reduz desigualdades; às vezes, pode ampliá-las.
Empresas transnacionais transferem atividades poluentes para países em desenvolvimento, aproveitando:
Legislação ambiental menos rígida
Mão de obra mais barata
Essa prática aumenta os lucros das empresas e aprofunda desigualdades socioeconômicas.
Dentro dos países, também existem desigualdades entre classes sociais e grupos tradicionais.
Essas desigualdades exigem:
Ação de movimentos sociais
Políticas públicas
Novas formas de organização econômica
A Organização das Nações Unidas passou a ter papel importante no debate sobre desenvolvimento após a Segunda Guerra Mundial.
O desenvolvimento de um país impacta o mundo todo, devido a:
Uso de recursos naturais
Emissão de poluentes
Efeitos nas migrações e no comércio internacional
A sociologia passou a estudar:
Os impactos do desenvolvimento nas gerações futuras
A responsabilidade dos países
Também analisa:
Conflitos sociais ligados ao acesso desigual aos recursos naturais.
Benefícios concentrados em certos grupos.
Destaca-se a relação entre:
Problemas ambientais
Modelos de desenvolvimento econômico e organização social.
Comunidades indígenas e tradicionais (especialmente na América Latina):
São mais afetadas por problemas ambientais.
Têm suas propostas incluídas no debate atual.
Imagens em Contexto – PÁGINA 224
*GRÁFICO INSEGURANÇA ALIMENTAR - 2024
Mobilização de lideranças indígenas em 2016.
Objetivo: alertar a opinião pública sobre impactos negativos de barragens no Tapajós.
Bacia do Tapajós abrange MT, PA, AM e RO.
Área de quase 500.000 km² (cerca de 6% do Brasil).
Presença de 30 Unidades de Conservação e 34 Terras Indígenas.
Planejamento de 44 hidrelétricas na região.
Construção de hidrelétricas é controversa.
Possíveis impactos: desmatamento, perda de biodiversidade, mudanças nos rios, deslocamento de populações.
Consequências atingem mais as populações vulneráveis.
Aumento da desigualdade social devido aos impactos ambientais.
Agricultura, concentração de terras e fome – PÁGINA 224
Debate sobre fome e pobreza é importante na sociologia e ligado a questões socioambientais.
Teoria malthusiana (século XIX): fome seria causada pelo crescimento populacional maior que a produção de alimentos.
Essa teoria foi criticada e superada no século XX.
Novos debates focam no modelo de desenvolvimento ligado ao capitalismo.
Mesmo com avanços tecnológicos e alta produção de alimentos, ainda há milhões em pobreza extrema e fome.
Existe concentração de terras nas mãos de poucos.
Produção de alimentos é voltada ao lucro, não à necessidade social.
Contradição: alta produção x persistência da fome.
Fome e pobreza não são causadas por falta de tecnologia ou recursos naturais.
São consequência de problemas políticos, sociais e econômicos.
O mercado não consegue distribuir riqueza e alimentos de forma justa.
Superação da fome depende de políticas públicas e garantia de direitos sociais.
Necessidade de repensar o modelo de desenvolvimento.
Josué de Castro:
Estudou a fome no Brasil na obra Geografia da Fome.
Defendeu que a fome não é natural nem causada pela superpopulação.
Apontou causas políticas e econômicas.
Destacou a importância da reforma agrária para melhorar o abastecimento alimentar.
Imagens em contexto – PÁGINA 224
· Insegurança alimentar: falta de acesso regular a alimentos suficientes em quantidade e qualidade.
· Insegurança alimentar grave: quando a pessoa passa fome, podendo ficar um dia inteiro ou vários dias sem comer.
· Insegurança alimentar moderada: quando a pessoa precisa reduzir a quantidade ou qualidade da alimentação em certos períodos por falta de renda ou recursos.
ATIVIDADES – RESPONDA NO CADERNO
1. Compare a situação de insegurança alimentar nos espaços rural, urbano e periurbano.
2. Analise os dados do gráfico mobilizando seus conhecimentos de geografia e a discussão sobre desenvolvimento tecnológico para produção de alimentos, logica do sistema capitalista e desigualdades sociais.
A fome no Brasil – PÁGINA 224
A fome no Brasil está ligada à desigual distribuição de terras.
Grandes propriedades concentram terras nas mãos de poucos e priorizam a produção para exportação e lucro.
Apesar de avanços tecnológicos, há aumento da produção junto com maior desigualdade na distribuição de alimentos.
Apenas cinco produtos agrícolas ocupam 70% das terras (soja, milho, cana-de-açúcar, feijão e arroz).
A soja cresceu muito (221%), enquanto feijão e arroz ficaram estagnados.
Mais de 60% da soja é destinada à exportação, mostrando foco no mercado externo.
Mesmo com maior produção, o sistema agrícola não garante acesso aos alimentos para toda a população.
Em 2022, 58,7% dos brasileiros viviam com insegurança alimentar.
Movimentos sociais defendem políticas públicas para combater a fome.
Propõe-se a reforma agrária, para democratizar o acesso à terra.
A reforma envolveria a desapropriação de grandes latifúndios pelo Estado, conforme o Estatuto da Terra.
A fome no mundo – PÁGINA 224
Após a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, os países enfrentaram desafios para reorganizar a sociedade e garantir a sobrevivência da população.
Surgiu a defesa do Estado de bem-estar social, com atuação na economia para garantir direitos e condições mínimas de vida.
O Estado passou a ser visto como principal responsável pela coesão social, assegurando direitos civis, políticos e sociais.
Apesar disso, modelos de desenvolvimento continuam favorecendo grupos econômicos e políticos mais poderosos.
A pobreza e a fome tornaram-se endêmicas em certas regiões, especialmente em áreas rurais da América Latina, África e Ásia.
Populações tradicionais dessas regiões ainda sofrem impactos da colonização e da desigualdade na distribuição de terras.
A exploração de recursos naturais por grandes empresas gera problemas como violência, desmatamento e esgotamento ambiental.
Organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas, defendem políticas globais específicas para essas regiões.
Durante a Guerra Fria, países capitalistas como Estados Unidos e Reino Unido buscaram reduzir a pobreza para evitar influência soviética.
Após o fim da Guerra Fria, com o avanço do neoliberalismo, houve redução dessas políticas.
Como consequência, a fome continua sendo uma realidade para milhões de pessoas no mundo.
ATIVIDADES – RESPONDA NO CADERNO – PÁGINA 226
1. Indique o(s) continente(s) onde se localiza(m) o(s) pais(es) com índice muito alto de insegurança alimentar.
2. Mobilize seus conhecimentos de geografia e explique a relação entre as cores e os valores da legenda.
REVOLUÇÃO VERDE – PÁGINA 227
• Revolução Verde: modelo agrícola criado após a Segunda Guerra Mundial e ampliado nos anos 1960.
• Objetivo principal: aumentar a produção agrícola e os lucros.
• Principais características:
• Alteração genética de sementes;
• Uso intenso de adubos químicos e agrotóxicos;
• Monocultura para exportação;
• Mecanização da produção;
• Redução do custo com mão de obra.
• Consequências sociais:
• Concentração de renda e terras;
• Dificuldade de competição dos pequenos produtores;
• Migração do campo para as cidades;
• Aumento do trabalho assalariado no campo.
• Consequências ambientais:
• Contaminação do solo e dos alimentos;
• Uso excessivo de agrotóxicos;
• Redução da diversidade de espécies;
• Perda de práticas e conhecimentos culturais locais.
• Visão dos defensores:
• Modernização da agricultura;
• Expansão da produção;
• Uso da biotecnologia para combater a fome.
• Críticas de ecologistas e movimentos sociais:
• Aumento das desigualdades sociais;
• Danos ambientais graves;
• Riscos à saúde dos trabalhadores e consumidores.
Imagens em contexto – PÁGINA 224
*COLHEITADEIRAS COLHENDO SOJA - 2024
· Contexto: Tecnologias incorporadas à produção rural durante a Revolução Verde.
· Principais Maquinários: Introdução de tratores, pulverizadores e colheitadeiras.
· Insumos e Biotecnologia: Uso de sementes híbridas e transgênicas, fertilizantes químicos, agrotóxicos e inseticidas.
· Manejo: Implementação de novas técnicas de irrigação.
· Foco na Colheitadeira: Máquina agrícola versátil capaz de colher plantas inteiras (forragem), partes de plantas (cana-de-açúcar), frutos (café) ou grãos (milho e soja).
Agricultura familiar – PÁGINA 228
• Agricultura familiar é uma forma de produção agrícola realizada por pequenos e médios proprietários rurais.
• A gestão da propriedade e o trabalho são feitos pela própria família.
• Os membros da família são donos dos meios de produção e também a mão de obra.
• Segundo a socióloga Maria de Nazareth Baudel Wanderley, a agricultura familiar representa um modo específico de viver e trabalhar no campo.
• Esse modelo é considerado não patronal e não latifundiário.
• Funciona como alternativa comunitária e cooperativa ao agronegócio.
• A agricultura familiar ajuda na preservação ambiental.
• Caracteriza-se pelo cultivo sustentável, maior uso de mão de obra e diversificação de culturas.
• Apesar da importância, enfrenta dificuldades devido à organização da produção agrícola no Brasil.
• Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2020:
• A agricultura familiar ocupava apenas 23% da área agropecuária do país;
• Porém representava 76,8% dos estabelecimentos rurais.
• Isso mostra que os grandes produtores do agronegócio ocupam áreas muito maiores.
• O IBGE também destaca os “produtores sem área”, como:
• Arrendatários;
• Ocupantes de terras;
• Extrativistas;
• Produtores de mel sem-terra;
• Criadores de animais em beiras de estrada;
• Agricultores em vazantes de rios e roças itinerantes.
• Esses produtores concentram-se principalmente nas regiões Nordeste e Norte do Brasil.
Imagens em contexto – PÁGINA 224
*AGRICULTORES FAMILIARES NO ASSENTAMENTO - 2024
· Origem dos assentamentos: São resultado da luta dos trabalhadores rurais pelo direito à terra.
· Regularização: O processo é regularizado pelo Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra).
· Benefícios diretos: Proporcionam moradia e oferecem apoio à produção familiar.
· Impacto social: Garantem a segurança alimentar de comunidades rurais que antes enfrentavam vulnerabilidade social e risco alimentar.
Contrastes entre a produção patronal e a agricultura familiar – PÁGINA 229
• Segundo o economista Ricardo Abramovay, o Brasil adotou principalmente o modelo de produção patronal, diferente da Europa, onde predominou a agricultura familiar.
• O modelo patronal separa a gestão do trabalho e prioriza a produção para exportação e para a indústria de alimentos.
• Regiões com base na agricultura familiar apresentaram maior prosperidade econômica e social.
• Nos países onde predominou o modelo patronal houve maior desigualdade social.
• No Brasil, a concentração de terras causou marginalização de pequenos produtores, aumento do desemprego e da pobreza.
• A industrialização do campo por grandes transnacionais dificulta o desenvolvimento da agricultura familiar.
• A agricultura familiar contribui para melhor qualidade de vida das populações camponesas e povos tradicionais.
• Entre esses grupos estão pequenos produtores rurais, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco-babaçu, faxinais e pantaneiros.
• Esses segmentos resistem ao avanço do agronegócio predatório para preservar seus modos de vida, saberes e identidades culturais.
ATIVIDADES – PÁGINA 229
1. Analisando os dados sobre agricultura familiar, que relação é possível estabelecer entre o número de estabelecimentos e a área ocupada por esta prática?
2. Com base nos dados, o que é possível inferir sobre a relação entre agricultura familiar, sustentabilidade e produção de alimentos no Brasil?
Segurança e soberania alimentar – PÁGINA 230
• A ideia de segurança alimentar surgiu durante a Primeira Guerra Mundial para garantir abastecimento em tempos de crise.
• Após a Segunda Guerra Mundial, o conceito ganhou força devido à destruição da produção agrícola e industrial na Europa.
• Na década de 1990, consolidou-se a ideia de que:
• Toda pessoa tem direito à alimentação saudável e nutritiva;
• O Estado deve criar políticas públicas para garantir esse direito.
• Entre as políticas públicas estão:
• Distribuição de alimentos e cestas básicas;
• Construção de restaurantes populares;
• Programas de renda mínima.
• Em 1996, na Cúpula Mundial da Alimentação da ONU, surgiu o conceito de soberania alimentar.
• A soberania alimentar foi criada como contraponto à segurança alimentar.
• Grandes empresas controlam parte do mercado de alimentos e dificultam o acesso da população pobre a alimentos de qualidade.
• O combate à fome não depende apenas do aumento da produção de alimentos.
• Segundo a soberania alimentar: alimentação de qualidade é um direito humano;
• Alimento não deve ser tratado apenas como mercadoria.
• Para garantir a soberania alimentar, é necessário:
• Permitir que a população produza seus próprios alimentos;
• Garantir acesso aos alimentos durante todo o ano;
• Respeitar o ambiente e os hábitos culturais das populações.
IMAGEM EM CONTEXTO
*IMAGEM SEXTA CONFERÊNCIA DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL - 2023
Conferência Nacional de Segurança Alimentar:
Importância: É um evento central no calendário de políticas públicas do Brasil.
Participantes: Reúne autoridades governamentais, especialistas e representantes da sociedade civil.
Objetivo: Debater e traçar estratégias para garantir a segurança alimentar e nutricional no país.
Poder público e garantia da soberania alimentar – PÁGINA 231
• A soberania alimentar possui três eixos principais: acesso, qualidade e educação alimentar.
• O poder público deve atuar na produção e distribuição de alimentos.
• A fome e a miséria no Brasil tornam urgente a busca por alternativas de desenvolvimento.
• A reforma agrária é essencial para combater a fome e a desigualdade.
• Soberania alimentar significa garantir alimento suficiente e de qualidade para todos.
• É importante fortalecer a produção de alimentos básicos, e não apenas commodities.
• Agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais oferecem alternativas sustentáveis.
• Esses grupos preservam o meio ambiente, a cultura e garantem autonomia econômica.
• Povos e comunidades tradicionais possuem formas próprias de organização social.
• Eles utilizam conhecimentos e práticas transmitidos pela tradição.
• O Decreto nº 6.040/2007 define e reconhece os direitos e características dessas comunidades.
EM PAUTA - É possível diminuir os danos das mudanças climáticas nas lavouras e aumentar a produtividade? – Página 232
• Pesquisa do Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC) estudou microrganismos presentes na cana-de-açúcar.
• Fungos e bactérias identificados favorecem o crescimento das plantas.
• Os microrganismos foram aplicados em culturas de milho.
• O experimento mostrou:
• Maior tolerância do milho à seca;
• Recuperação mais rápida após estresse hídrico;
• Aumento da biomassa em até três vezes.
• Os microrganismos conseguem alterar a fisiologia das plantas.
• Entre os efeitos observados:
• Redução da temperatura das folhas em até 4 ºC;
• Melhor controle do consumo de água.
• Em testes realizados na Bahia:
• Os microrganismos ajudaram no combate ao enfezamento do milho;
• A doença reduz a produção de espigas.
• Pesquisadores estão realizando o sequenciamento genético de cerca de:
• 25 mil bactérias;
• 10 mil fungos.
• A inteligência artificial é usada para analisar os dados genéticos.
• Algoritmos identificam padrões ligados às funções metabólicas dos microrganismos.
• A pesquisa destaca a importância dos bancos de microrganismos.
• O objetivo é desenvolver inoculantes que possam substituir fertilizantes químicos e tornar a agricultura mais sustentável.
ATIVIDADES – PÁGINA 232
Reúna-se a alguns colegas para realizar as atividades.
1. De acordo com o experimento, como os microrganismos da cana-de-açúcar afetaram as culturas de milho?
2. Além do aumento da resiliência das plantas à escassez de água, listem outros impactos positivos que a inoculação desses microrganismos em outras culturas agrícolas pode ter na segurança alimentar em regiões afetadas por secas e mudanças climáticas.
3. Debatam e infiram:
• Quais poderiam ser os benefícios ambientais do uso de microrganismos no lugar de fertilizantes químicos?
• Quais poderiam ser os desafios no uso de microrganismos em larga escala?
• Que tipos de estudos complementares seriam importantes para avaliar a eficácia e a segurança desses métodos?
4. Pesquisem em livros, jornais e revistas impressos ou na internet os impactos das mudanças climáticas na agricultura no município ou na unidade da federação onde vocês moram. Pesquisem também possíveis soluções para esses problemas. Após a pesquisa, produzam um cartaz ou postagem de redes sociais para apresentar aos demais grupos a solução que vocês consideraram a mais adequada para diminuir os impactos pesquisados.
Crise alimentar no mundo globalizado – página 233
A crise alimentar mundial se intensificou na década de 2020.
Os países mais pobres da África, Ásia e América Latina foram os mais afetados.
Principais causas da crise:
Choques climáticos frequentes;
Conflitos regionais;
Consequências da pandemia de covid-19.
Esses fatores prejudicaram:
A produção agrícola;
A distribuição de alimentos;
A segurança alimentar da população mundial.
Fatores do aumento do preço dos alimentos
Aumento da demanda
Crescimento do poder aquisitivo em países ricos e emergentes.
Maior consumo de alimentos por parte da população.
Necessidade de mais grãos para alimentar a pecuária.
Expansão dos biocombustíveis
Alta do preço do petróleo incentivou o uso de biocombustíveis.
Estados Unidos e União Europeia ofereceram subsídios.
Áreas agrícolas antes destinadas a alimentos passaram a produzir matérias-primas para etanol.
Mudanças climáticas e perdas de safras
Aquecimento global alterou padrões climáticos.
Aumento de enchentes e secas prolongadas.
Dificuldade no planejamento agrícola.
Perda de safras e redução da oferta de alimentos.
Consequente aumento dos preços.
Conclusão
Muitos problemas estão ligados ao modelo de desenvolvimento capitalista.
O uso excessivo dos recursos naturais mostrou-se insustentável.
A crise reforçou a necessidade de:
Modelos econômicos sustentáveis;
Combate à pobreza;
Combate à fome.
ATIVIDADES - 233
1. Explique de que maneira ataques a portos podem contribuir para o aumento do preço dos alimentos.
2. Infira que outras maneiras as guerras interferem na produção, na distribuição e no comercio de alimentos.
IMAGENS EM CONTEXTO
+BOMBEIROS APAGANDO FOGO – UCRÃNIA 2022
· Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia agravou a crise global.
· Houve bombardeios, ocupação de territórios e bloqueios de portos no Mar Negro.
· Rússia e Ucrânia são grandes exportadores de alimentos, principalmente trigo.
· Os conflitos interromperam as exportações desses produtos.
· A interrupção causou aumento no preço das mercadorias no mercado mundial.
Mudanças climáticas e crise energética – página 234
A industrialização aumentou a transformação da natureza em mercadorias.
Houve maior extração de matérias-primas e geração de resíduos.
Atividades como mineração, queimadas, desmatamento e uso de combustíveis fósseis causam impactos ambientais.
Entre os impactos estão: desertificação do solo, poluição da água e do ar, efeito estufa, perda de habitats e extinção de espécies.
As mudanças climáticas estão ligadas ao aquecimento global.
O aquecimento global provoca:
Degelo das calotas polares;
Aumento do nível dos oceanos;
Extinção de espécies;
Tempestades mais intensas;
Surgimento de novas doenças.
A gravidade da situação levou à declaração de emergência climática mundial.
O crescimento urbano e industrial aumentou a demanda por energia.
Grande parte das fontes de energia utilizadas é poluente e não renovável.
A dependência dessas fontes mostra a insustentabilidade do modelo econômico capitalista.
A escassez de recursos energéticos gerou a crise energética.
A crise energética tornou a questão ambiental prioridade para muitos países.
Governos e empresas passaram a buscar fontes alternativas de energia.
Energias renováveis, como solar e eólica, são vistas como soluções sustentáveis.
Tecnologias limpas podem garantir segurança energética e reduzir a emissão de gases poluentes.
IMAGEM EM CONTEXTO – PÁGINA 234
Em 2024, enchentes atingiram os 497 municípios do Rio Grande do Sul.
O desastre causou destruição sem precedentes.
O acontecimento gerou reflexões sobre a emergência climática global.
O desmatamento contribuiu para agravar a situação.
A ocupação urbana irregular em margens de rios, lagoas e lagos aumentou os impactos.
Mudanças no uso da terra influenciaram as enchentes.
A expansão do agronegócio também foi apontada como fator relacionado.
O extrativismo predatório contribuiu para o problema ambiental.
Modernização ecológica e Ecologismo de resultados – página 235
O discurso ambientalista foi adotado por governos, empresas e agências multilaterais.
Surgiu o chamado Ecologismo de resultados, com proposta conciliadora e pragmática.
Esse modelo busca adaptar o capitalismo às questões ambientais sem alterar sua estrutura.
Baseia-se na teoria da modernização ecológica.
A modernização ecológica defende:
Crescimento econômico junto com preservação ambiental;
Uso de tecnologias menos poluentes;
Economia de mercado;
Colaboração e consenso social.
O professor Henri Acselrad aponta duas visões sobre o meio ambiente:
Posição utilitarista:
Vê a natureza apenas como fonte de recursos;
Ignora aspectos culturais e sociais.
Posição cultural:
Considera o meio ambiente ligado à cultura e à sociedade;
Diferentes povos atribuem sentidos diferentes ao ambiente.
Segundo Acselrad:
Não existe meio ambiente sem os grupos sociais que lhe dão significado;
Existem diversos “ambientes”, conforme cada cultura.
Os conflitos ambientais surgem por causa da desigualdade social.
Grupos mais pobres sofrem maior exposição aos riscos ambientais.
Os benefícios do desenvolvimento ficam concentrados nas mãos de poucos.
A poluição e os impactos ambientais não atingem todos igualmente.
Pessoas ricas possuem mais condições de escapar dos riscos ambientais.
Pessoas pobres permanecem em áreas e situações de maior vulnerabilidade.
A desigualdade ambiental é a distribuição desigual dos riscos ambientais.
A superação desses problemas exige colaboração e consenso entre os grupos sociais.
IMAGEM EM CONTEXTO – PÁGINA 235
*IMAGEM PROTESTO “ATINGIDOS PELAS BARRAGENS” - 2024
· Movimento criado na década de 1980.
· Surgiu como organização local e regional.
· Tornou-se uma entidade nacional.
· Denuncia conflitos e desigualdades socioambientais.
· Defende os direitos das populações atingidas por barragens.
· Luta para que água e energia não sejam mercadorias.
· Defende acesso universal à água e energia.
· Reivindica soberania, distribuição de riquezas e controle popular.
Modernização e transformação social – página 236
A modernização das sociedades é um tema estudado pelas ciências sociais desde o século XIX.
Esse processo modifica as formas de convivência social e as práticas culturais ligadas ao meio ambiente.
A modernização envolve aspectos econômicos, políticos e sociais.
Nas sociedades capitalistas ocidentais, ocorreram mudanças como:
Valorização do indivíduo;
Racionalização no lugar das crenças religiosas;
Burocratização das instituições.
O capitalismo é considerado um fator central para entender essas transformações sociais e culturais.
As críticas ao capitalismo incluem seus efeitos de desagregação social e impactos ambientais.
Vandana Shiva critica os impactos ambientais causados pelo modelo capitalista.
Ela defende uma agricultura sem sementes geneticamente modificadas.
Para Shiva, a escassez de água e comida está ligada ao consumismo e ao materialismo da cultura ocidental.
Segundo a filósofa, grandes corporações agravam as crises ambientais na busca por lucro.
Ela propõe o fim da privatização dos recursos naturais, como água, ar e solo.
Defende uma democracia baseada na sustentabilidade, na paz e na justiça social.
SUGESTÃO - Guerras por água: privatização, poluição e lucro (Vandana Shiva. Sao Paulo: Radical Livros, 2006)
· Esse livro e um ensaio sobre os efeitos do capitalismo em sequência ecológica. Parte superior do formulário
Mudanças nas formas de sociabilidade – página 236
· Problemas ambientais afetam as sociedades material e culturalmente.
· O sociólogo Antônio Candido estudou comunidades caipiras do interior de São Paulo.
· A cultura caipira surgiu do isolamento e da interiorização durante a colonização do país.
· A sociabilidade caipira era autossuficiente e voltada para a subsistência.
· As relações sociais eram baseadas na solidariedade, não na competição.
· Os vizinhos ajudavam uns aos outros por meio do mutirão.
· O mutirão era visto como um ato de amizade e cooperação.
· A relação com a natureza era equilibrada, caracterizando um ajuste ecológico.
IMAGENS EM CONTEXTO – PÁGINA 236
*IMAGEM FEIRA TROCA DE SEMENTES - PARÁ - 2016
· Feiras de trocas de sementes reúnem indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária e agricultores tradicionais.
· Nessas feiras, ocorre a troca de sementes, mudas, conhecimentos e experiências.
· Destacam-se as sementes crioulas, selecionadas por gerações de agricultores.
· As sementes crioulas possuem grande diversidade genética.
· Essa diversidade ajuda na resistência agrícola, principalmente diante das mudanças climáticas.
· As feiras contribuem para a conservação da agrobiodiversidade.
· Representam uma forma de resistência ao modelo agrícola dominante no Brasil.
· Criticam a monocultura e o uso de sementes transgênicas.
Justiça ambiental e racismo ambiental – página 237
A industrialização aumentou a migração do campo para as cidades.
O crescimento urbano gerou ocupações irregulares, como favelas e áreas de risco.
Moradias em morros sofrem risco de deslizamentos.
Casas em áreas de várzea estão sujeitas a enchentes e inundações.
Falta de saneamento, esgoto, coleta de lixo e drenagem agrava problemas de saúde.
Muitas moradias precárias ficam próximas de rodovias, ferrovias, fábricas poluentes e aterros sanitários.
O sociólogo Robert Doyle Bullard chamou esses locais de “zonas de sacrifício”.
Zonas de sacrifício concentram injustiça ambiental e discriminação social.
Chuvas e enchentes podem destruir moradias e piorar as condições de vida.
A redução desses riscos depende de ações e políticas públicas dos governos.
Robert Doyle Bullard é considerado fundador do movimento por justiça ambiental.
Justiça ambiental defende que nenhum grupo social deve sofrer mais degradação ambiental que outros.
O conceito surgiu nos movimentos sociais e de direitos civis dos Estados Unidos nos anos 1960.
A justiça ambiental critica a visão utilitarista do meio ambiente.
Defende uma sociedade baseada em direitos e igualdade social.
Injustiça ambiental ocorre quando populações pobres e marginalizadas sofrem mais impactos ambientais.
Trabalhadores, pessoas de baixa renda e grupos vulneráveis são os mais afetados.
O termo racismo ambiental foi criado por Benjamin Franklin Chavis.
Racismo ambiental descreve impactos ambientais negativos sofridos de forma desigual por populações pobres e marginalizadas.
Esses impactos incluem poluição do ar, contaminação da água e enchentes.
Martin Luther King Jr. atuou ao lado de Chavis na luta contra o preconceito racial.
Robert Doyle Bullard tornou-se um dos principais ativistas contra o ecorracismo.
Em pesquisa realizada em Houston, Bullard mostrou que aterros e incineradores eram instalados principalmente em bairros de maioria negra.
A localização desses espaços seguia critérios sociais e raciais, e não apenas técnicos.
IMAGENS EM CONTEXTO – PÁGINA 237
*PONTO DE ALAGAMENTO – SÃO PAULO - 2023
· Mudanças na Lei de Zoneamento e no Plano Diretor de São Jose dos Campos flexibilizaram restrições a impermeabilização do solo no entorno de condomínios. Em consequência, o córrego Cambuí passou a acumular maior volume de agua, prejudicando moradores de áreas de risco.
Ecologismo dos pobres – página 238
A injustiça social e ambiental afeta principalmente a população trabalhadora e pobre.
Essas populações vivem mais expostas a riscos ambientais e desastres climáticos.
Além dos riscos, precisam arcar com os custos da construção de suas próprias moradias.
Muitas vezes são acusadas de ocupar áreas irregulares, sendo responsabilizadas pelos problemas enfrentados.
A imprensa e autoridades frequentemente justificam remoções de favelas sem discutir a falta histórica de políticas habitacionais adequadas.
O economista Joan Martinez-Alier criou a ideia de “Ecologismo dos pobres”.
Essa perspectiva valoriza a luta de populações pobres, minorias étnicas e povos tradicionais pela defesa do território, da cultura e do meio ambiente.
Defende-se um diálogo de saberes, valorizando conhecimentos e modos de vida tradicionais.
O objetivo é buscar equilíbrio ecológico com respeito à diversidade cultural e justiça social.
No Brasil, movimentos sociais e ambientais defendem:
Áreas indígenas, quilombolas e ribeirinhas;
Proteção contra desigualdade e segregação ambiental;
Acesso igualitário à terra, água e recursos naturais.
Existe uma luta contra a concentração de terras férteis e das águas nas mãos de poucas pessoas.
Busca-se impedir que os custos ambientais sejam transferidos para os mais pobres.
Essa luta também visa garantir direitos e preservação ambiental para as futuras gerações.
IMAGENS EM CONTEXTO – PÁGINA 238
*IMAGEM ÂNGELA MENDES – ATIVISTA - 2018
Em 2021, a ativista ambiental Ângela Mendes participou de uma reunião da Organização das Nações Unidas.
Ela representava organizações indígenas, ambientalistas e de direitos humanos.
Defendeu o reconhecimento do direito a um meio ambiente saudável.
Propôs a criação de um mandato especial sobre mudanças climáticas e direitos humanos.
Ângela Mendes é filha de Chico Mendes.
Chico Mendes foi seringueiro e ambientalista.
Ele foi assassinado em 1988.
Lutava pela preservação da Floresta Amazônica e pelos direitos dos povos que vivem nela.
Modelo de desenvolvimento versus ambientalismo – página 239
O modelo de desenvolvimento brasileiro foi inspirado na industrialização dos países capitalistas centrais.
Esse modelo gerou conflitos com o movimento ambientalista.
Defensores do desenvolvimentismo acreditavam que a industrialização geraria empregos, renda e superação da pobreza.
Ideias de proteção ambiental vindas dos Estados Unidos e Canadá criaram dificuldades para populações tradicionais manterem atividades extrativistas.
Seringueiros, pescadores e outros grupos denunciaram ações predatórias de madeireiras e mineradoras.
A relação entre meio ambiente e justiça social uniu diversos movimentos sociais e ambientalistas.
Participaram dessa união:
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST);
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB);
Sindicatos;
Indígenas;
Seringueiros;
Extrativistas;
Movimentos comunitários urbanos.
Esses grupos defendiam um Ecologismo crítico e combativo.
O MAB denunciava os lucros do setor elétrico obtidos com a expropriação ambiental das populações atingidas.
O MST criticava propriedades rurais que produziam destruindo recursos naturais e biodiversidade.
A função social da terra está definida no Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964).
Para cumprir sua função social, a terra deve:
Garantir bem-estar dos proprietários e trabalhadores;
Manter produtividade satisfatória;
Conservar os recursos naturais;
Respeitar as leis trabalhistas.
ATIVIDADES – PÁGINA 239
1. Analise a relação entre conservação de recursos naturais, bem-estar das famílias que vivem e trabalham na propriedade e função social da terra.
2. Em que medida a existência de grandes propriedades rurais improdutivas fere o princípio de função social da terra?
3. Relacione o cumprimento da função social da terra a redução da insegurança alimentar no mundo.
Movimentos sociais e conflitos ambientais no Brasil – página 240
Até os anos 1980, a proteção ao meio ambiente era vista com desconfiança no Brasil.
Questões sociais, como pobreza e desigualdade, eram consideradas mais importantes que as ambientais.
A “ambientalização” dos discursos políticos e sociais começou a ganhar força após:
a Constituição de 1988;
a Eco-92.
Na Eco-92, foi criado o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.
O fortalecimento dos estudos ambientais nas ciências sociais teve relação com ONGs e movimentos ambientalistas dos anos 1980.
Desde 1955, as Ligas Camponesas já defendiam melhorias para os trabalhadores rurais.
As Ligas Camponesas iniciaram a luta pela reforma agrária no Brasil.
O movimento também chamava atenção para os impactos do latifúndio na vida e na cultura dos pequenos agricultores.
Ligas camponesas – página 240
Formação da Liga da Galileia em 1955, no município de Vitória de Santo Antão (PE).
Objetivo inicial: melhorar a produção agrícola e arrecadar recursos para ações assistenciais.
Organização coletiva dos trabalhadores rurais contra o aumento da renda da terra.
Conquista da desapropriação do Engenho da Galileia pelos trabalhadores.
Entre 1960 e 1961, surgiram 25 núcleos das ligas camponesas em Pernambuco.
Expansão das ligas para outros estados brasileiros.
Participação de foreiros, meeiros, arrendatários e pequenos proprietários, chamados de camponeses.
Identificação do latifúndio improdutivo e decadente como principal problema do meio rural brasileiro.
Extinção das ligas camponesas pela ditadura civil-militar em 1964.
Legado das ligas influenciou sindicatos rurais, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e movimentos ambientalistas.
Relação entre luta pela terra, preservação ambiental e defesa dos modos de vida de populações rurais e tradicionais.
Chico Mendes: seringueiro e ativista ambiental – página 241
Chico Mendes foi um importante líder ambientalista nascido em 1944 e assassinado em 1988.
Defendeu os povos tradicionais da Amazônia e denunciou a exploração da floresta e das populações locais.
Lutava para garantir aos seringueiros e outros grupos extrativistas o direito de usar os recursos naturais sem destruir a floresta.
Não defendia a posse individual da terra, mas o uso sustentável para sobrevivência das comunidades tradicionais.
O modo de vida amazônico tradicional baseava-se no extrativismo de produtos como látex, castanha, óleos e essências vegetais.
Essas populações também praticavam caça, pesca não predatórias e agricultura de subsistência.
Sua atuação ajudou a criar a Aliança dos Povos da Floresta, unindo indígenas e seringueiros.
A aliança defendia a criação de reservas extrativistas para preservar a floresta e proteger os territórios tradicionais.
A proposta foi apoiada pelo Conselho Nacional dos Seringueiros e pela União das Nações Indígenas.
A luta do movimento levou à regulamentação das reservas extrativistas como forma de uso sustentável da terra.
Atualmente, várias reservas extrativistas da Amazônia são administradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Biointegração – página 241
Antônio Bispo dos Santos criticava o modelo de desenvolvimento que explora recursos naturais e prejudica povos tradicionais.
Defendia a superação do desenvolvimentismo baseado na exploração excessiva da natureza.
Diferenciava os processos de sintetização e reciclagem da “biointegração” natural.
Criticava a tríade sustentável tradicional: “reduzir, reutilizar e reciclar”.
Considerava que essa lógica não questiona o uso excessivo de recursos finitos e não renováveis.
Propunha a tríade: “extrair, utilizar e reeditar”.
A biointegração envolve usar recursos naturais de forma consciente e sem industrialização excessiva.
Os materiais utilizados retornariam rapidamente à natureza por decomposição orgânica.
Sua proposta valoriza o equilíbrio ambiental e os conhecimentos tradicionais.