PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
1º ANO - RESUMO – SOCIOLOGIA – 1º TRIMESTRE
CONTEÚDO: PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
(PÁGINAS DO LIVRO: 14-33)
Produção de conhecimento (página: 14)
· A sociologia surgiu para responder como o conhecimento pode melhorar a vida das pessoas.
· A produção de conhecimento é uma característica presente em todas as sociedades humanas.
· As ciências sociais ajudam a compreender a realidade social.
· Elas permitem identificar diferentes tipos de saberes produzidos pela humanidade.
· Existem contextos sociais, políticos e econômicos que criaram uma hierarquia de conhecimentos.
· Essa hierarquia ainda existe, mas vem sendo questionada.
· O movimento de descolonização do conhecimento busca valorizar diferentes saberes.
· Esse movimento está ligado a lutas sociais e políticas por emancipação na história recente.
Conhecimento científico e práticas sociais (página: 14)
A pandemia de covid-19, iniciada em 2020, trouxe grandes mudanças em diversas áreas da vida, incluindo a produção de conhecimento.
Houve cooperação científica global para estudar o vírus e desenvolver tratamentos e vacinas.
As patentes limitaram o avanço mais rápido, pois restringem o uso do conhecimento a grupos específicos.
Alguns países, como o Brasil, autorizaram a quebra temporária de patentes para ampliar a produção e o acesso a vacinas e medicamentos.
Diferentes sociedades criam soluções variadas para seus problemas, como falta de alimentos ou distância entre cidades.
O conhecimento está ligado à prática social — não existe sem ela.
Os saberes são produzidos dentro de contextos históricos e sociais.
As ciências sociais ajudam a compreender esses contextos e a analisar os limites e possibilidades dos conhecimentos.
A Revolução Científica e as ciências sociais (página 15)
Domínio religioso no conhecimento:
Por muito tempo, o conhecimento nas sociedades ocidentais foi controlado pela religião.
Galileu Galilei foi questionado pela Igreja, mostrando a dificuldade de aceitação da ciência.
Mudanças a partir do século XVIII:
Influência de revoluções que transformaram a forma de entender a sociedade.
Ideias de liberdade, igualdade e fraternidade ganharam força.
A sociedade passou a ser vista como algo que pode ser transformado pela ação humana.
Três grandes revoluções:
Iluminismo (cultural)
Revolução Francesa (política)
Revolução Industrial (econômica)
Essas revoluções impulsionaram o surgimento do conhecimento científico.
Conhecimento científico e seus limites:
Surge em meio a desigualdades, colonização e escravidão.
Não é neutro: pode melhorar a vida ou reforçar dominação.
Dominação = capacidade de impor obediência.
Legitimação = aceitação de formas de poder.
Surgimento das ciências sociais:
Compreendem a sociedade e seus conflitos.
Principais áreas:
Sociologia → relações sociais
Antropologia → cultura
Ciência política → poder e instituições
Método das ciências sociais:
Fenômenos sociais devem ser problematizados (estranhamento).
Busca entender a realidade de forma crítica.
Desnaturalização:
Ideia central das ciências sociais.
Fenômenos sociais são construções humanas, não naturais ou imutáveis.
As diferentes formas de Conhecimento (página: 16)
O ser humano não apenas sobrevive, mas busca entender e transformar a realidade.
O conhecimento surge da relação entre realidade objetiva (o que percebemos) e realidade subjetiva (como interpretamos).
Conhecimento é toda compreensão e prática adquiridas que ajudam nas atividades do dia a dia.
Todos são capazes de produzir conhecimento, mas ele varia conforme a forma de produção.
Existem diferentes tipos de conhecimento, como:
Prático (experiência cotidiana)
Religioso (crenças e fé)
Filosófico (reflexão e lógica)
Científico (investigação sistemática)
O conhecimento pode servir para:
Resolver problemas imediatos
Responder questões existenciais
Resolver conflitos sociais
Explicar a natureza e o universo
A ciência é um tipo de conhecimento baseado em métodos sistemáticos de investigação e verificação.
Características da ciência:
Pode ser criticada e corrigida
É flexível e aberta a inovações
É eficiente para intervir na realidade
Pode ser praticada em diferentes culturas
Apesar da importância da ciência, outros saberes também são relevantes, como:
Saberes tradicionais
Conhecimento coletivo (ex: internet e colaboração)
Conhecimento religioso (PAGINA: 17)
· A ciência é a forma de conhecimento mais aceita nas sociedades industrializadas, mas não é a única existente.
· Outras formas de conhecimento continuam presentes, como o conhecimento religioso.
· O conhecimento teológico ou religioso se baseia em crenças, mitos, deuses, lendas e histórias sagradas.
· Esse tipo de conhecimento busca explicar questões como o sentido da vida e a morte.
· Diferente da ciência, a religião se apoia na crença em uma realidade exterior ao mundo.
· Essa realidade influencia a forma como as pessoas percebem e explicam a sociedade.
· Os ensinamentos religiosos orientam a vida com base em princípios sagrados e mitológicos.
Religião (PÁGINA: 17)
· Religião: conjunto de crenças e práticas de um grupo, geralmente baseado em uma ou mais divindades
· Define princípios morais e formas de interpretar o mundo
· Cada religião possui símbolos e rituais próprios
· Principais religiões do mundo: cristianismo, islamismo, hinduísmo, judaísmo e budismo
· Existem milhares de outras manifestações religiosas no mundo
· No Brasil, predominam: católicos, evangélicos, espíritas e religiões afro-brasileiras
· Outras religiões (islamismo, judaísmo, budismo, hinduísmo) representam uma pequena parcela no país
Conhecimento filosófico (PÁGINA: 18)
· A filosofia busca explicar os mistérios do mundo por meio da razão, diferente da fé e da religião.
· Baseia-se no questionamento e na reflexão.
· Produz teorias que devem ter coerência interna e lógica.
· Não precisa de comprovação experimental, mas deve seguir princípios racionais.
· Procura responder perguntas como: “o que é?”, “como é?” e “por que é?”.
· Busca compreender a essência, o significado e a origem das coisas.
· Utiliza o pensamento racional e a lógica para justificar e organizar o conhecimento.
Conhecimento do senso comum (PÁGINa: 18)
· Desde o nascimento, adquirimos conhecimentos por meio da convivência em sociedade.
· Esse conhecimento baseado na experiência é chamado de senso comum.
· O senso comum é formado por ideias e práticas aceitas sem questionamento.
· Ele é construído a partir das experiências do dia a dia e transmitido entre gerações.
· Difere do conhecimento científico, que é organizado em teorias.
· Teorias científicas são baseadas em princípios, hipóteses e métodos específicos.
· O senso comum orienta ações e decisões cotidianas sem necessidade de experimentos.
· Exemplo: prever chuva ao observar nuvens escuras, com base em experiências anteriores.
Conhecimento científico (PÁGINA: 19)
· O escurecimento do céu e as tempestades podem ser explicados por um método científico rigoroso.
· Esse método investiga causas, consequências, condições e periodicidade dos fenômenos.
· A aplicação do método gera conhecimento válido e útil.
· A ciência é baseada em observação, classificação e experimentação.
· O conhecimento científico busca explicar os eventos do mundo.
· As explicações devem seguir métodos organizados e teorias aceitas pelos cientistas.
· A ciência é um estudo sistemático e metódico de fenômenos naturais e sociais.
· Envolve a escolha de um objeto de pesquisa.
· Utiliza técnicas de investigação e procedimentos de verificação aprovados pela comunidade científica.
Ciência e senso comum: opostos ou complementares? (PÁGINA: 19)
A relação entre ciência e senso comum é tema de debate:
Alguns consideram a ciência superior.
Outros veem ambos como conhecimentos complementares.
Pedro Demo (sociólogo brasileiro):
Defende que a pesquisa é essencial para conhecer a realidade.
Afirma que o senso comum aceita fatos sem questionamento.
Exemplo: acreditar que o Sol gira em torno da Terra com base na observação cotidiana.
Diferença principal:
Ciência: baseada em métodos e pesquisas.
Senso comum: baseado em percepções e experiências sem investigação.
Visão tradicional (influência do Iluminismo):
Ciência: conhecimento racional e imparcial.
Senso comum: conhecimento parcial e irracional.
O Iluminismo valorizou a ciência como meio de superar o Antigo Regime.
O iluminismo (PAGINA: 20)
· Movimento intelectual surgido na Europa no século XVIII
· Influenciou transformações políticas e econômicas do período
· Defendia a liberdade econômica e política
· Valorizava a ciência como principal forma de compreender o mundo
· Atendia aos interesses da burguesia contra o Estado absolutista
· Principais pensadores: John Locke, Voltaire, Montesquieu, Rousseau e Adam Smith
· Contribuiu para a formação do pensamento social contemporâneo
· A valorização da ciência influenciou o surgimento do positivismo no século XIX
O positivismo (PÁGINA: 20)
Criado pelo filósofo francês Auguste Comte (1798–1857).
Defende que a ciência é o único conhecimento válido e útil para a humanidade.
Considera a ciência como a única forma legítima de compreender a realidade e resolver problemas.
Está ligado ao surgimento da Sociologia como ciência.
Propõe um método laico (não religioso) e pragmático na análise da sociedade.
Busca identificar leis sociais, assim como a física busca leis da natureza.
Defende que a ciência conduz ao progresso da humanidade.
Lema do positivismo: “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”.
Ganhou força na Europa entre o século XIX e início do XX.
Influenciou o Brasil, especialmente no lema da bandeira: “Ordem e Progresso”.
Conhecimentos complementares (PÁGINA: 20)
Ciência e senso comum podem ser complementares, não opostos
A oposição entre eles surgiu nos séculos XVIII e XIX, especialmente nas ciências naturais
Essa oposição serviu para valorizar a ciência como principal forma de conhecimento
Atualmente, essa separação não faz mais sentido
Defende-se uma aproximação entre ciência e senso comum, transformando ambos
Manuela Carneiro da Cunha destaca o valor da colaboração entre ciência e conhecimentos tradicionais
No Brasil, essa colaboração ainda é limitada por:
Colonialismo interno
Arrogância da ciência ocidental
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A contribuição de Paulo Freire (PÁGINA: 21)
Paulo Freire defende que ciência e senso comum são formas complementares de conhecimento.
O conhecimento depende da relação entre o sujeito e sua realidade social.
O senso comum influencia o tipo e o alcance do conhecimento produzido.
Freire critica o positivismo, valorizando o saber popular e as explicações do cotidiano.
O objetivo do conhecimento científico seria tornar-se acessível e integrado ao senso comum.
Com isso, o senso comum poderia se tornar mais crítico e menos passivo diante de “verdades prontas”.
Exemplo histórico (Revolução Francesa):
Antes: senso comum aceitava o direito divino dos reis.
Depois: essa ideia foi rejeitada, mostrando mudança no senso comum.
Exemplo (independência africana):
Ideias de liberdade e democracia estimularam movimentos anticoloniais.
Houve contestação de poderes antes considerados incontestáveis.
Exemplo contemporâneo (COVID-19):
Houve polarização entre crença na ciência e negacionismo.
Influência de redes sociais e “bolhas informacionais” na confiança na ciência.
Quebra de confiança nos sistemas técnicos, segundo estudos como os de Leticia Cesarino.
Conclusão:
Ciência e senso comum estão interligados e se transformam mutuamente ao longo do tempo. Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
A contribuição da sociologia para a interpretação da sociedade contemporânea (PÁGINA: 22)
· A sociedade contemporânea produz diferentes explicações sobre si mesma por meio do conhecimento científico.
· Refletir sobre a vida social é uma característica presente em todas as sociedades humanas.
· A sociologia torna essa reflexão mais rigorosa e sistemática.
· A disciplina desenvolve métodos específicos para analisar a realidade social.
· A sociologia possui um duplo papel como ciência:
Estranhar a realidade social: questionar o que parece comum ou natural.
Desnaturalizar a realidade social: mostrar que comportamentos, valores e instituições são construções históricas e sociais, e não fatos naturais.
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A Revolução Industrial e a Revolução Francesa (PÁGINA: 22)
As Revoluções Industrial e Francesa transformaram profundamente a sociedade, a política e a economia.
Essas mudanças contribuíram para o fortalecimento da ciência como principal forma de explicar a realidade social.
Revolução Industrial
Substituição gradual da economia agrária por uma economia industrial e urbana.
Crescimento acelerado das cidades, do comércio e das indústrias.
Expulsão de camponeses das terras comunais, criando uma grande oferta de mão de obra barata.
Trabalhadores passaram a enfrentar:
Jornadas de trabalho muito longas;
Condições insalubres;
Baixos salários.
Aumentaram a exploração social e as desigualdades econômicas.
Revolução Francesa
Transformou a forma de pensar e praticar a política.
A burguesia assumiu papel de destaque, rompendo com privilégios da aristocracia.
Valorização da razão e da observação da realidade.
o Consolidação dos ideais revolucionários: Liberdade; Igualdade; Fraternidade.
Permanência das desigualdades
A desigualdade entre nobres e plebeus foi substituída pela desigualdade entre:
Proprietários (donos de terras e fábricas);
Não proprietários (trabalhadores rurais e operários).
A liberdade conquistada tornou-se apenas formal para muitos trabalhadores, devido à necessidade de vender sua força de trabalho para sobreviver.
A exploração continuou existindo por meio do sistema de lucro, que beneficiava poucos e dependia do trabalho de muitos.
Os ideais da Revolução Francesa e a independência do Haiti (PÁGINA: 23)
A Revolução Francesa teve um caráter mais universal do que outras revoluções democráticas da época.
Foi considerada o “tempo da ideologia e da utopia”.
Inspirou-se em uma radicalização do Iluminismo (ou “Espírito das Luzes”).
Defendia a confiança plena na razão como forma de compreender e transformar a sociedade.
Opunha-se às crenças, tradições e experiências do passado.
Buscava romper com as estruturas tradicionais e promover profundas mudanças sociais e políticas.
Seus ideais influenciaram diversos movimentos e transformações ao redor do mundo.
A busca por uma interpretação científica da realidade social (PÁGINA: 23)
Após a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, cresceram as reivindicações por:
Melhores condições de vida e trabalho.
Maior participação política da população.
Soluções para os problemas sociais e econômicos da época.
O aumento das desigualdades e dos conflitos sociais estimulou o desenvolvimento das ciências sociais.
Inicialmente, as ciências sociais tiveram um caráter mais conservador, buscando preservar a ordem social existente e evitar mudanças radicais.
A sociedade passou a ser vista como um fenômeno que poderia ser estudado cientificamente e cujos problemas poderiam ser solucionados racionalmente.
Auguste Comte foi o primeiro a definir a Sociologia como a ciência responsável por compreender os fundamentos das relações sociais.
A Sociologia surgiu como uma ferramenta para analisar e solucionar os problemas da sociedade industrial europeia, especialmente: - A desigualdade social/ - As ameaças à ordem capitalista e burguesa.
Ao longo dos últimos dois séculos, a Sociologia ampliou seu campo de estudo para compreender:
A industrialização.
As estruturas da sociedade contemporânea.
As instituições e processos sociais.
A Sociologia contribui para que indivíduos e grupos compreendam seu papel na sociedade e reconheçam sua capacidade de transformá-la.
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Os métodos de análise sociológica da realidade social (página 24)
· O QUE SÃO? São os caminhos, técnicas e procedimentos científicos utilizados para investigar, compreender e explicar os fenômenos e as estruturas da realidade social.
· Eles se dividem entre as principais correntes teóricas de análise e as ferramentas práticas de coleta e tratamento de dados.
MÉTODOS - PENSADORES
Método Funcionalista - Émile Durkheim
Método Compreensivo - Max Weber
Materialismo Histórico e Dialético - Karl Marx
Estruturalismo - Ferdinand de Saussure
Pós-estruturalismo - Michel Foucault / Jacques Derrida / Judith Butle
Pensamento Decolonial - Aníbal Quijano / Walter Mignolo /Arturo Escobar
Método Funcionalista OU MÉTODO COMPARATIVO (PÁGINA: 24)
• O funcionalismo estuda as partes sociais (instituições) por suas funções e interdependência.
• O método comparativo busca semelhanças e diferenças para compreender padrões e estabelecer regras gerais, substituindo a experimentação de laboratório.
• Conceito: a sociedade é vista como um sistema, onde instituições (escola, família, religião) funcionam como órgãos para manter a ordem e a harmonia social.
• Foco: analisa a função social — o papel de cada parte para o funcionamento do todo.
• Autores-chave: Émile Durkheim (solidariedade orgânica) e Bronisław Malinowski (necessidades individuais).
• Metáfora: Analogia orgânica (sociedade = corpo humano).
Diferença Fundamental
· Enquanto o funcionalismo é uma teoria sobre o que sustenta a sociedade (a função), o método comparativo é uma ferramenta de investigação como estudar essa sociedade.
· Durkheim, muitas vezes, utiliza o método comparativo para realizar uma análise funcionalista.
O método compreensivo (PÁGINA: 25)
• É uma abordagem metodológica e sociológica desenvolvida pelo pensador alemão Max Weber.
• Ele foca em interpretar o sentido subjetivo e as motivações internas que os indivíduos atribuem às suas próprias ações e ao contexto social em que vivem, indo além de explicações puramente estatísticas ou estruturais.
Pilares do Método
• Ação Social: O objeto central de estudo. É toda conduta humana dotada de sentido e intenção, orientada para a ação de outros indivíduos.
• Compreensão (Verstehen): O esforço intelectual do pesquisador para se colocar no lugar do agente social e entender a lógica interna por trás do seu comportamento.
• Neutralidade Axiológica: O pesquisador deve buscar deixar seus próprios valores e juízos de preferência de lado para analisar a realidade de forma científica e imparcial.
• Tipo Ideal (Ideal-Type): Um modelo conceitual abstrato construído pelo pesquisador. Ele não existe perfeitamente na realidade, mas serve como um "padrão" para comparar fenômenos e medir desvios.
Por que ele é importante?
• Diferente de abordagens que enxergam a sociedade apenas como uma estrutura que molda os indivíduos, o método compreensivo coloca o agente no centro da análise, reconhecendo que as pessoas possuem agência e atribuem significados ao mundo. Ele consolidou o chamado individualismo metodológico nas ciências sociais.
Características principais:
• Analisa a ação social e seus significados;
• Procura entender a visão do indivíduo sobre suas próprias ações;
• Valoriza a interpretação dos comportamentos sociais;
• Considera fatores culturais, históricos e subjetivos.
O materialismo histórico e dialético (PÁGINA: 26)
Surgimento: Desenvolvido por Karl Marx no século XIX, mas incorporado formalmente às ciências sociais apenas no século XX.
Objetivo: Oferecer uma reflexão crítica sobre a sociedade capitalista, focando nas relações de produção e suas consequências sociais.
O Motor da História e a Luta de Classes
Luta de Classes: Considerada o motor da história, com início a partir da criação da propriedade privada dos meios de produção.
Condições Materiais: Para Marx, as bases materiais de uma sociedade são as responsáveis por definir seus problemas e suas soluções.
Estrutura do Método: Materialismo + Dialética
Materialismo: Compreensão de que a produção dos bens necessários à sobrevivência (vida material) gera relações de produção onde alguns grupos dominam outros. O conflito desses interesses gera as transformações históricas e novos modos de produção.
Dialética: Visão de que a sociedade não é um todo "orgânico" e pacífico, mas sim uma realidade movida e transformada pela superação de suas próprias contradições e antagonismos.
A Base e a Superestrutura
As relações de produção determinam a superestrutura da sociedade, que se divide em dois níveis:
Nível Jurídico-Político: Composto por leis, normas e pelo funcionamento político. Estrutura as relações de poder e justifica legalmente a estrutura de produção vigente (seja ela escravista, feudal ou capitalista).
Nível Ideológico: Sistema de convicções e ideias que dá coesão ao grupo. Geralmente reflete a lógica da classe dominante (as ideias dominantes).
Transformação Social
Consciência de Classe: Quando a classe dominada toma consciência da exploração e da dominação que sofre, abre-se o caminho para a transformação da base econômica, dando origem a um novo sistema de relações econômicas e sociais.
O ESTRUTURALISMO (PÁGINA: 27)
· Origem e evolução: Movimento intelectual iniciado no começo do século XX pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure e expandido para a antropologia na década de 1940 por Claude Lévi-Strauss.
· Conceito central: A realidade social é moldada e determinada por uma estrutura invisível de signos e regras, que controlam nossas percepções e comportamentos sem que tenhamos consciência disso (assim como funciona a gramática de uma língua).
· Caráter relacional: O significado de uma palavra ou conceito só existe quando relacionado a outros. (Exemplo: o termo "pai" só faz sentido em relação a "mãe" e "filho", integrando o conceito de "família").
· Negatividade: Compreendemos os signos também pelo que eles não são (por oposição e diferenciação dos demais).
· Objetivo: Descobrir formas e estruturas que não mudam (invariantes), mesmo que estejam inseridas em conteúdos ou culturas diferentes.
· Estudo de Lévi-Strauss: Ao analisar as "formas elementares de parentesco", o antropólogo descobriu que as relações familiares (consanguinidade, aliança e filiação) são estruturadas a partir de uma regra universal: a proibição do incesto.
· Maio de 1968: Manifestações estudantis e movimentos sociais na Europa e nos EUA questionaram os modelos tradicionais de dominação.
· Surgimento do Termo: Cunhado no final da década de 1960 em universidades estadunidenses.
· Proposta Teórica: Surgiu como uma recusa ao essencialismo do pensamento estruturalista francês, questionando a existência de uma autoridade única capaz de revelar a essência das sociedades, da cultura e da subjetividade.
· Nova Análise do Poder: Deslocou o conceito de poder da centralidade de pessoas ou instituições para as relações sociais.
· Práticas Discursivas: Defendeu que o poder é exercido por meio de discursos que determinam o que é considerado verdadeiro e correto em uma sociedade.
· Teoria da Desconstrução: Questionou a ideia de que a linguagem e o pensamento são capazes de capturar a realidade com precisão.
· Crítica ao Binarismo: Levou a crítica das estruturas essenciais para o campo do gênero e da identidade.
· Questionamento Social: Colocou em xeque as noções tradicionais de sexo e sexualidade nas relações sociais.
· Surgimento: Desenvolvido na transição das décadas de 1980 para 1990.
· Motivação: Crítica ao neoliberalismo elaborada por intelectuais latino-americanos.
· Objetivo: Questionar as narrativas hegemônicas e a visão eurocêntrica que sustentam o domínio político, econômico e cultural.
· Sistema Contínuo: O colonialismo não é um evento do passado, mas um sistema complexo de opressões que se adapta e se ressignifica ao longo do tempo.
· Bases da Modernidade: As estruturas de desigualdade atuais usam os mesmos argumentos de "progresso" e "civilização" dos séculos XV e XVI para marginalizar minorias.
· Marco Inicial: Para a decolonialidade, a modernidade nasce na expansão colonial europeia (séculos XV e XVI), e não no Iluminismo ou na Revolução Francesa.
· Rejeição do Universalismo: Questiona a ideia de que o conhecimento europeu é universal.
· Legitimidade de Saberes: Reconhece e valoriza as formas de conhecimento de povos historicamente subalternizados e silenciados.
· Crítica Estrutural: Não busca apenas incluir novos saberes, mas combater as estruturas de poder que os colocaram em posição de inferioridade.
· Colonialidade do Poder: Categoria criada pelo sociólogo peruano para explicar a dominação contemporânea na América Latina através de dois eixos:
o Dominação Cultural: Controle do conhecimento a partir de uma hierarquia que prioriza a racionalidade eurocêntrica.
o Exploração Econômica: Um sistema global baseado na lógica capitalista, onde as relações de trabalho servem à hegemonia do capital.
· Além da Academia: A decolonialidade deve ser um princípio norteador para ações cotidianas, e não apenas uma teoria científica.
· Transformação Social: Visa romper com o colonialismo para reconstruir a modernidade, promovendo novas formas de organização social que valorizem a diversidade global.
A sociologia e a interpretação da sociedade do século XXI (PÁGINA: 29)
Nas últimas décadas, ocorreram profundas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais em escala global.
Entre os fatores dessas mudanças estão:
A consolidação da China como potência mundial.
O avanço das tecnologias de comunicação.
O desenvolvimento da inteligência artificial.
Essas transformações criaram novas realidades sociais, como:
Novas relações de trabalho.
Novos arranjos políticos.
Crescimento da criminalidade violenta.
Expansão do consumismo.
O sociólogo espanhol Manuel Castells afirma que a revolução das tecnologias da informação remodelou rapidamente as estruturas sociais.
Segundo Castells:
As economias tornaram-se globalmente interdependentes.
Houve mudanças profundas nas relações entre economia, Estado e sociedade.
O fluxo de informações influencia diretamente a organização social.
Exemplos dessas transformações:
Internet.
Trabalho flexível.
Organizações Não Governamentais (ONGs) transnacionais.
Relacionamentos virtuais.
Entretenimento eletrônico.
Cooperação internacional.
Castells denomina esse novo contexto de:
Sociedade em rede.
Sociedade informacional.
A pesquisadora Jennifer Gabrys analisa os impactos da crise climática e das tecnologias de monitoramento ambiental.
Gabrys criou o conceito de smart forests:
Tecnologias utilizadas para monitorar ambientes naturais.
Ferramentas voltadas à previsão e ao acompanhamento de fenômenos ambientais.
Catástrofes ambientais, como incêndios, enchentes e deslizamentos, incentivam o uso dessas tecnologias.
A autora destaca a necessidade de debater:
Como os dados são utilizados.
Quem controla essas informações.
Os riscos da desinformação, apesar da ampliação do acesso à informação proporcionada pela internet.
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O Brasil na sociologia do século XXI (PÁGINA: 30)
Octavio Ianni
Sociólogo brasileiro que utilizou o método dialético para analisar a sociedade.
Entendia os fenômenos sociais como marcados por conflitos e contradições.
Estudou os impactos da globalização e do capitalismo.
Considerava que o capitalismo promove progresso, mas também reproduz desigualdades sociais.
Defendia que o sistema beneficia poucos e prejudica muitos.
Luiz Antônio Machado da Silva
Pesquisou a sociabilidade urbana brasileira desde a década de 1970.
Estudou temas como:
Movimentos sociais;
Botequins;
Comércio informal;
Relações cotidianas nas cidades.
Analisou como as ações das pessoas são influenciadas por fatores sociais.
Conceito de sociabilidade violenta
Desenvolvido por Machado da Silva.
Refere-se a novas formas de interação nas grandes cidades.
Relaciona-se à: Criminalidade; Segregação socioespacial; Violência no cotidiano urbano.
Objetos de estudo das Ciências Sociais
Os temas são amplos e interligados.
Exemplo: o estudo do desemprego pode envolver:
Divisão internacional do trabalho;
Saúde do trabalhador;
Previdência social;
Habitação popular;
Cultura periférica;
Criminalidade urbana.
Importância da pesquisa científica
Busca compreender fenômenos além das aparências.
Exige curiosidade e questionamento constante.
Produz conhecimentos que podem:
Esclarecer o senso comum;
Auxiliar técnicos e governantes;
Servir de base para novas pesquisas.
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A produção do conhecimento sociológico (PÁGINA: 31)
O conhecimento sociológico resulta da relação entre os fenômenos sociais observados e a perspectiva do pesquisador.
O sociólogo busca identificar contradições nos discursos e nas práticas sociais, transformando fenômenos sociais em objetos de análise sociológica.
A pesquisa sociológica envolve problematizar a realidade e realizar recortes específicos para estudá-la.
Segundo Octavio Ianni, as condições de vida e o contexto histórico dos cientistas influenciam suas pesquisas e escolhas de estudo.
As ciências sociais investigam temas do cotidiano, como: Crime / Gênero
Sociabilidade / Juventude / Envelhecimento / Violência doméstica / Religiosidade / Saúde / Afetividade
Os resultados dessas pesquisas contribuem para a formulação de políticas públicas e para o desenvolvimento de um senso comum mais crítico.
O relatório Atlas da Violência 2023 apontou que:
A violência é a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil.
Em 2021, 49% das mortes de jovens nessa faixa etária foram causadas por violência.
Dos 47.847 homicídios registrados no país, 50% tiveram jovens como vítimas.
A maioria das vítimas era do sexo masculino.
Pessoas negras representaram 77% dos homicídios registrados.
A violência contra a mulher continua sendo um problema grave, especialmente dentro do ambiente doméstico.
Mulheres negras sofrem mais violência do que mulheres não negras.
Os dados sociológicos ajudam governos a criar políticas públicas de combate à violência.
Movimentos sociais podem utilizar essas informações para desenvolver estratégias de enfrentamento da violência, especialmente contra jovens pobres e negros das grandes cidades.
Metodologias de pesquisa em Ciências Humanas (PÁGINA: 32)
Metodologias de pesquisa são técnicas utilizadas pelos cientistas para obter evidências que sustentem teorias e interpretações da realidade.
A sociologia utiliza principalmente dois tipos de pesquisa:
Pesquisa Quantitativa
Analisa a sociedade por meio de dados numéricos e estatísticos.
Utiliza questionários aplicados a uma amostra representativa da população.
Permite identificar tendências e padrões sociais.
Exemplo: pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pesquisa Qualitativa
Busca informações mais aprofundadas e detalhadas.
Trabalha com um universo menor de participantes.
Utiliza técnicas como:
Observação direta;
Entrevistas abertas;
Observação participante (quando o pesquisador convive com o grupo estudado).
Exemplo: etnografias realizadas por antropólogos sobre populações indígenas.
Diferença principal
Quantitativa: foco em números e estatísticas.
Qualitativa: foco na compreensão profunda de comportamentos, experiências e relações sociais.
Técnicas e procedimentos de pesquisa (PÁGINA: 32)
Revisão bibliográfica
Análise crítica de fontes relevantes sobre um tema.
Organiza o conhecimento já produzido na área.
Identifica lacunas para futuras pesquisas.
Análise documental
Estudo de documentos escritos, como relatórios, jornais, cartas e leis.
Busca informações sobre fenômenos sociais.
Utilizada para investigar processos históricos, políticas públicas e movimentos sociais.
Construção e uso de amostragens
Coleta dados de uma parte da população (amostra).
Permite fazer inferências sobre um grupo maior.
Muito utilizada em pesquisas quantitativas.
Possibilita generalizações com base nos resultados obtidos na amostra.
Questionários
Instrumento de coleta de dados com perguntas padronizadas.
Utilizado para obter informações sobre opiniões, comportamentos e práticas sociais.
Aplicado a uma amostra de participantes.
Estudo de caso
Análise aprofundada de um caso ou de poucos casos específicos.
Investiga fenômenos sociais complexos.
Permite comparações e acompanhamento ao longo do tempo.
Estudo de recepção
Analisa como as pessoas interpretam e reagem às mensagens da mídia.
Estuda a relação entre meios de comunicação e público.
Avalia impactos em comportamentos e percepções sociais.
Observação
Inserção do pesquisador no grupo ou comunidade estudada.
Coleta direta de informações sobre comportamentos e interações.
Permite identificar práticas e opiniões nem sempre conscientes pelos participantes.
Tomada de nota e relatórios
Registro sistemático de observações e reflexões.
Organiza e documenta os dados coletados.
Auxilia na formulação de hipóteses e teorias.
Entrevistas
Coleta de dados por meio de conversas estruturadas ou semiestruturadas.
Método qualitativo.
Explora experiências, perspectivas e significados dos participantes.
Grupo focal
Discussão orientada com um pequeno grupo de pessoas.
Investiga opiniões, percepções e atitudes coletivas.
Utilizado em pesquisas sociais, marketing, comunicação e avaliação de programas.
Análise de mídias tradicionais
Estudo de conteúdos de jornais, revistas, rádio e televisão.
Investiga a influência da mídia na opinião pública e na cultura.
Analisa relações de poder presentes nos meios de comunicação.
Análise de mídias sociais
Estudo de conteúdos produzidos em redes sociais.
Examina padrões de comunicação e comportamento on-line.
Identifica sentimentos, tendências e temas recorrentes.
Pesquisa-ação
Cooperação entre pesquisadores e participantes.
Busca compreender e solucionar problemas sociais.
Produz conhecimento e promove mudanças práticas na comunidade.