PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
ATIVIDADES (PÁGINA 70)
1. Os conceitos de fato social, de Émile Durkheim, e de ação social, de Max Weber, representam visões opostas a respeito da relação entre indivíduo e sociedade. Justifique essa afirmação.
2. O conceito de socialização é fundamental para compreender as ações das pessoas e os padrões estabelecidos em uma sociedade. Explique quais são e como atuam alguns de seus principais agentes.
3. O conceito de cultura foi elaborado por antropólogos no contexto da expansão de projetos colonialistas.
a. Explique a relação entre os primeiros estudos antropológicos e as justificativas apresentadas pelas potências imperialistas para seu projeto de dominação.
b. Comente os avanços que marcaram os estudos antropológicos na superação da perspectiva evolucionista.
4. Carolina Maria de Jesus foi uma mulher negra, com pouca instrução formal, moradora da Favela do Canindé, na capital de São Paulo, que teve seus diários publicados no livro Quarto de despejo: diário de uma favelada. No dia 6 de julho de 1958, ela escreveu:
[...] É 5 e meia. O frei Luiz está chegando para passar o cinema aqui na favela. Já puzeram a tela e os favelados estão presentes. As pessoas de alvenaria que residem perto da favela diz que não sabe como é que as pessoas de cultura dá atenção ao povo da favela.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014. p. 81.
a. Com base no trecho lido e no que você aprendeu sobre cultura neste capítulo, explique o que Carolina Maria de Jesus quis dizer com “pessoas de cultura”.
b. A edição dos diários de Carolina Maria de Jesus preservou os erros ortográficos e gramaticais da autora não só para manter a originalidade dos relatos, como também por se tratar de uma literatura de testemunho. Como esse fato dialoga com os conceitos de cultura popular, cultura erudita e cultura e poder?
5. Em sua primeira palestra, com mais de 37 milhões de visualizações, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie discorreu sobre como encontrou sua voz cultural autêntica ao questionar a necessidade de considerar a sobreposição de histórias e fontes na constituição de sua própria história. Ela relata:
Passei a infância num campus universitário no leste da Nigéria. [...] Eu me tornei leitora cedo, e o que lia eram livros infantis britânicos e americanos.
Também me tornei escritora cedo. Quando comecei a escrever, lá pelos sete anos de idade – textos escritos a lápis com ilustrações feitas com giz de cera que minha pobre mãe era obrigada a ler –, escrevi exatamente o tipo de história que lia: todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis, brincavam na neve, comiam maçãs e falavam muito sobre o tempo e sobre como era bom o sol ter saído.
Escrevia sobre isso apesar de eu morar na Nigéria. Eu nunca tinha saído do meu país. Lá, não tinha neve, comíamos mangas e nunca falávamos do tempo, porque não havia necessidade. [...]
[...]
Como eu só tinha lido livros nos quais os personagens eram estrangeiros, tinha ficado convencida de que os livros, por sua própria natureza, precisavam ter estrangeiros e ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar. Mas tudo mudou quando descobri os livros africanos. [...]
Eu amava aqueles livros americanos e britânicos que lia. [...] mas a consequência não prevista foi que eu não sabia que pessoas iguais a mim podiam existir na literatura.
ADICHIE, Chimamanda. O perigo de uma história única.
São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 6-8.
De acordo com a antropologia e com base no título da palestra, que forma de pensar e agir o trecho descreve? Quais são as consequências dela decorrentes?
6. Pierre Bourdieu afirma que o capital cultural ao qual o estudante tem acesso pode interferir em sua trajetória escolar.
Com efeito, para que sejam favorecidos os mais favorecidos e desfavorecidos os mais desfavorecidos, é necessário e suficiente que a escola ignore, no âmbito dos conteúdos do ensino que transmite, dos métodos e técnicas de transmissão e dos critérios de avaliação, as desigualdades culturais entre as crianças das diferentes classes sociais. Em outras palavras, tratando todos os educandos, por mais desiguais que sejam eles de fato, como iguais em direitos e deveres, o sistema escolar é levado a dar a sua sanção às desigualdades iniciais diante da cultura.
BOURDIEU, Pierre. A escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura. In: NOGUEIRA,
Maria Alice; CATANI, Afrânio (org.). Pierre Bourdieu: escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 53.
Reflita sobre casos em que o capital cultural pode afetar a trajetória de um indivíduo e converse com os colegas sobre as diferentes dimensões das desigualdades sociais.
7. O texto a seguir foi extraído do prólogo do livro Retratos sociológicos, do sociólogo francês Bernard Lahire.
O mundo social está tanto dentro de nós como fora de nós. Na origem de nossas desgraças e de nossa felicidade, tanto individuais como coletivas, ele se diferenciou e se tornou tão complexo que produziu o sentimento de que o íntimo, o singular, o pessoal se distinguiram por natureza da sociedade (como dois objetos claramente distintos) e até mesmo se contraporiam a ela. Em um estado de diferenciação particularmente avançado, por paradoxo ou por artimanha do mundo social, temos a sensação de uma vida subjetiva não social ou extrassocial. Nada é mais comum do que essa inverdade. O indivíduo, o foro íntimo ou a subjetividade como local de nossa liberdade primordial é um de nossos grandes mitos contemporâneos. [...]
LAHIRE, Bernard. Retratos sociológicos: disposições e variações individuais. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. XII.
Analise o argumento do autor utilizando o conceito de socialização.
8. O slam, ou poetry slam, evento poético que teve início em Chicago, nos Estados Unidos, em 1984, é uma competição de poesia falada com influências do rap e do hip-hop, sendo caracterizado pela linguagem informal, marcada por traços de oralidade e coloquialidade. Os participantes dos slams devem seguir algumas regras: é vetado o uso de figurinos, cenários e instrumentos musicais; os poemas devem ser de autoria dos participantes e lidos ou recitados em até três minutos; o júri é escolhido na hora e composto de cinco pessoas do público, que dão notas de zero a dez; o competidor com maior nota vence a batalha poética. O evento, que dialoga com o público jovem, é um movimento social, cultural e artístico presente no mundo todo, contribuindo para a representação de integrantes de minorias, como mulheres, negros, pessoas LGBTQIA+ e moradores das periferias. Agora que você conhece algumas características desse gênero literário, faça as atividades a seguir.
a. Considerando as relações entre cultura e poder, analise o fenômeno do slam utilizando o conceito de contra-hegemonia.
b. Organize um slam.
• Junte-se a quatro colegas e elejam um destes temas: racismo, repressão policial, violência do Estado, exclusão de direitos, temática LGBTQIA+, feminismo ou violência contra as mulheres.
• Criem um poema sobre o tema escolhido para declamar no dia agendado para a competição.
• Durante o evento, com os demais colegas, escolham os jurados entre os integrantes do público.
ENEM E VERTIBULARES
9. (Enem-MEC – adaptada)
TEXTO 1
Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis” ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro.
SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação.Pensando o Brasil: a construção de um povo. In: MOTA, C. G. (org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).
TEXTO 2
Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma formapovos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas.
SILVA, K. W.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.
Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da a. concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado.
b. percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias.
c. compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados.
d. transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval.
e. visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza.
10. (Uerj-RJ)
O alemão Franz Boas foi o primeiro a ressaltar a importância do estudo das diversas culturas em seu próprio contexto, a partir das suas peculiaridades. Boas ressaltava não haver cultura superior ou inferior. Para ele, deveriam ser considerados os fatores históricos, naturais e linguísticos que influenciavam o desenvolvimento de cada cultura em particular.
LUCCI, E. A. e outros. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia geral e do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2010. (Adaptado).
A abordagem apresentada no texto foi desenvolvida a partir do início do século XX e originou uma nova perspectiva das ciências sociais em relação ao estudo das culturas. Essa perspectiva é denominada:
a. relativismo.
b. materialismo.
c. evolucionismo.
d. etnocentrismo.