PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
NATUREZA EM TRANSFORMAÇÃO
A comunidade científica tem divulgado alertas constantes sobre a necessidade de os países reduzirem suas emissões de gases do efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono, a fim de evitar que limites críticos do sistema climático sejam atingidos. A queima de combustíveis fósseis e o desmatamento estão entre as principais atividades humanas responsáveis pelo lançamento de dióxido de carbono na atmosfera.
Os habitantes das cidades, onde vive a maior parte da população mundial, são particularmente vulneráveis aos eventos climáticos extremos, como enchentes, inundações e ondas de calor. Diante desse cenário, a reflexão a respeito das consequências da ação humana sobre a natureza mostra-se cada vez mais urgente, visto que as intervenções antrópicas têm se intensificado e seus impactos se tornam potencialmente irreversíveis.
Desmatamento ilegal de Floresta Amazônica dentro do Parque Nacional da Serra do Divisor, no município de Mâncio Lima, Acre. Fotografia de 2021. Ainda que exista uma legislação voltada para reduzir o desmatamento, a exploração predatória da natureza continua a ser praticada de forma persistente.
A unidade “Natureza em transformação” está presente nos quatro volumes desta coleção de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Confira, no quadro a seguir, os capítulos de cada componente que contribuem para a abordagem da temática dessa unidade.
NA PRÁTICA
A erradicação da fome global é um dos objetivos da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas. Especialistas apontam que o problema da fome mundial está profundamente relacionado aos mecanismos de exploração da natureza no modo de produção capitalista, que geram impactos ambientais sem promover a distribuição equitativa dos resultados. A lógica de mercado, caracterizada pela exploração predatória dos recursos naturais e pela desigualdade na produção e na distribuição de riquezas, tem sido a principal causa da persistência da fome no mundo.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, em 2022, só no Brasil, 17,2 milhões de pessoas estavam em situação de insegurança alimentar severa. No entanto, em razão da recuperação econômica e da eficiência dos programas sociais implementados pelo Estado brasileiro em 2023, no final desse ano, aproximadamente 14,7 milhões de brasileiros tinham sido retirados da situação de fome.
Campanha de doação de alimentos organizada pela prefeitura para prestar auxílio a pessoas no contexto da pandemia de covid-19 no município de Campinas, São Paulo. Fotografia de 2021.
As campanhas de doação de alimentos são uma das ações desenvolvidas para reduzir a fome. O acesso a uma renda mínima é outra medida tomada pelos governos com esse objetivo.
1. Reúna-se em grupo e discutam a importância dos programas sociais para erradicar a fome no Brasil e no mundo, analisando o papel dos governos nessa missão.
2. Analisem coletivamente como a exploração predatória da natureza decorrente da lógica capitalista de mercado pode contribuir para a fome e a insegurança alimentar no Brasil e no mundo.
Proponham medidas que possam reduzir a gravidade desse cenário.
RESUMO - NATUREZA EM TRANSFORMAÇÃO – PÁGINA DO LIVRO 218
•A comunidade científica tem divulgado alertas para evitar que limites críticos do sistema climático sejam atingidos.
•A maior parte da população mundial está vulnerável (enchentes, inundações e ondas de calor).
•O problema da fome mundial está relacionado aos mecanismos de exploração da natureza.
•Objetivos da agenda 2030: a erradicação da fome global.
•Quais medidas podem ser tomadas pelo governo com esse objetivo?
RESPOSTAS E COMENTÁRIOS - QUESTÕES 1 E 2 (PÁGINA 219)
1. Espera-se que os grupos reconheçam a relevância de políticas governamentais que garantam uma renda mínima para as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade econômica e social ao viabilizar a compra de alimentos, assegurando, assim, o direito humano à alimentação e o direito constitucional brasileiro à segurança alimentar e nutricional. Ao garantir uma renda mínima, os programas sociais também têm o potencial de fomentar as economias locais, estimulando a geração de empregos e a melhoria das condições de vida das populações. O papel do governo é crucial nesse cenário, uma vez que é responsável pelo mapeamento das famílias vulneráveis e pela implementação de programas que promovam o desenvolvimento econômico e social do país.
2. Espera-se que os estudantes identifiquem, por exemplo, que a exploração excessiva dos recursos naturais resulta em diversos impactos ambientais, como a perda de solo fértil e a contaminação de cursos de água, comprometendo a capacidade de produzir alimentos e afetando os modos de vida e alimentação das populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas. Além disso, o modo de produção capitalista gera concentração de renda e riqueza, dificultando o acesso aos recursos necessários para satisfazer as necessidades básicas de uma parcela significativa da população, tanto no Brasil quanto em diferentes regiões do mundo.