PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
RESUMO DO CONTEÚDO - A DÚVIDA
ABERTURA
Dúvida = pensamento crítico.
A dúvida ajuda-nos a examinar cuidadosamente as informações que estamos constantemente expostos.
Sobre as: vivências + crenças + ações + conteúdos +informações, etc.
O pensamento crítico: verifica se há boas razões para sustentá-las ou não.
A dúvida é usada em todas as ciências.
A dúvida nos acompanha no cotidiano.
A dúvida manifesta-se de diferentes maneiras e intensidades.
Como: na vontade de pensar/aprender/observar o mundo.
O estado mental que nos conduz a dúvida é marcado por: incertezas/hesitação/ desconfianças.
Ter dúvida é algo desejável para alcançarmos uma compreensão mais consistente sobre diferentes questões.
Pela dúvida, entramos no domínio do cognitivo, isto é, do conhecimento.
Saber o que é mais adequado em determinadas situações implica reunir mais informações, ter capacidade de articulá-la, bem como verificar se essa informação que temos é verdadeira.
A IMPORTÂNCIA DE PERGUNTAR
Ter dúvidas, mesmo que provisoriamente, é algo desejável para alcançar um conhecimento maior.
Por que as pessoas tendem a expressar poucas dúvidas?
Exemplo: sala de aula. Ninguém tem dúvidas sobre o que acabou de ouvir do professor. Por que isso é tão frequente?
Explicação: dificuldade de expressão/ medo de falar em público.
Outro motivo ter dúvidas é expor uma fragilidade, um sinal de dificuldade intelectual ou falta de conhecimentos.
A conversação costuma ser uma sucessão de monólogos e enfrentamentos. Cada um está mais preocupado em dar o contra ou exibir seus conhecimentos, suas certezas, do que entender o outro ou aprender com ele ou junto com ele. E quando não entram na disputa optam pelo silêncio.
Não há nada mais inteligente do que perguntar.
Perguntas expressam o desejo de avançar.
Quanto mais se vive, mais se aprende.
O gosto pela indagação costuma ser aliado ao gosto pela escuta.
As pessoas tem perspectiva diferentes das nossas.
Isso amplia nossa maneira de ver as coisas e a nos mesmos.
Uma decisão tomada com base em um dado falso não será adequado.
A dúvida é a base do método científico.
Na ciência, um afirmação é aceita como correta somente depois de haver vencido várias etapas de estudo e validação pela comunidade de cientistas.
Etapas do método cientifico: observação, formulação de hipóteses, experimentação e interpretação dos resultados para ver se confia ou não sua hipótese.
A dúvida permeia todo o processo.
Imagem “A incredubilidade de São Tomé” (obra do pintor Barroco italiano Caravaggio 1601-1602 se encontra na Alemanha – uma das obras mais copiadas no mundo das artes) – remete ao “ver para crer” (ideia da dúvida que é somada tão somente com evidências)
Também chamado “A dúvida de tomé”.
Explicação: Logo após a crucifixão, São Tomé toca as chagas de Cristo para verificar se são reais.
A cabeça de Cristo e dos três apóstolos são o foco da composição.
O momento é intenso. Os apóstolos olham para São Tomé que, com a testa profundamente sulcada, mergulha seu dedo no flanco de Cristo.
O drama deste chocante detalhe é intensificado pelo contraste gritante da luz e das sombras escuras (efeito conhecido como chiaroscuro); o fundo está ausente.
ATIVIDADE - CONEXÃO-1
Você se considera uma pessoa questionadora?
Como reagem as pessoas quando você expressa suas incertezas?
A ATITUDE FILOSÓFICA
Para aprender a filosofar, é fundamental adotar uma atitude indagadora.
“As perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se num nova pergunta” (Karl Jaspers)
A filosofia busca uma ampliação da paisagem e seus horizontes (cada resposta gera um novo terreno para dúvidas e perguntas).
A filosofia pode ser de grande utilidade em muitos momentos de sua existência.
Análise da obra “A condição humana” (René Magritte): um quadro colocado contra a janela – esconde exatamente a parte da paisagem que ele busca retratar. Como podemos interpretar essa metáfora sobre a percepção humana da realidade construía pelo artista?
Na infância essa atitude é bastante comum.
A maioria das crianças vive mergulhada em interrogações: o que é isso? Por que isso é assim? Etc.
A partir dessas perguntas, e de outras experiências, elas vão formando imagens, ideias e conceitos dos diversos elementos que compõem a realidade.
Às vezes as crianças dão uma reviravolta nas questões que abordam, fazendo perguntas insistentes e até geniais, verdadeiras torturas para os adultos, que se veem obrigados a parar e pensar sobre as coisas.
Com o passar dos anos esquecem aquelas questões para as quais nunca conseguiram explicações.
A atitude filosófica constitui, portanto, uma espécie de retorno a essa primeira infância, a essa maneira de ver, escutar e sentir as coisas.
É como começar de novo por meio das dúvidas e de sucessivas indagações.
Mas como não é possível começar de novo, porque já conhece, sente e imagina muitas coisas a respeito do mundo, você já tem um repertório de conceitos mesmo sem ter consciência disso.
É normal que você se mova pela vida orientado por esse mapa sem precisar fazer tantas perguntas quando uma criança.
Há momentos em que o repertório que um pessoa tem não serve para enfrentar determinada situação.
É então que surge a quebra, o estranhamento em relação ao fluxo normal do cotidiano.
Trata-se de uma oportunidade para começar a pensar na vida de uma maneira filosófica, isto é, para começar a indagar e duvidar.
ABRIR-SE AO MUNDO COM OLHOS DE CRIANÇA
Análise do texto: o que significa voltar a ver o mundo como uma criança?
Disposição de ânimo (primeira) para entrar no território da filosofia.
Aspirante a filósofo – leve seu estudo a uma disposição infantil.
Ou seja, perceber e sentir por toda a parte (problemas/mistérios)
Admirar-se tudo tal como criança que não entende nada e para quem tudo é problema.
Aquele para quem tudo resulta natural, muito fácil de entender, para quem resulta muito óbvio, nunca poderá ser filósofo.
VER O MUNDO COMO UMA CRIANÇA
Voltar a ver o mundo como uma criança exige a humildade de admitir que o que você vê ou pensa pode ser apenas uma construção subjetiva ou cultural, até mesmo um engano ou ilusão.
Como nas ilusões de ótica
Atividade - CONEXÕES (filósofo francês Montaigne)
Tudo se submeterá ao exame da criança e nada se lhe enfiará na cabeça por simples autoridade ou crédito.
Que ela escolha se puder. E se não o puder que fique na dúvida, pois só os loucos tem certeza absoluta em sua opinião.
Proposta educativa: Seria autoritária ou liberal? Há espaço para dúvida? O autor valoriza a certeza absoluta?
A educação pode ser determinante na forma de pensar das pessoas?
Como julgar adequadamente?
Julgar adequadamente envolve discernimento, imparcialidade e consideração das circunstâncias, evitando preconceitos e julgamentos precipitados.
É importante buscar informações completas, considerar diferentes perspectivas e ter empatia ao avaliar uma situação ou pessoa.
Importante: Julgar é uma atividade complexa e que envolve responsabilidade. Ao julgar, lembre-se de que suas palavras e ações podem ter impacto significativo na vida das pessoas, por isso, procure fazer isso com cuidado, discernimento e justiça.
10 DICAS PARA JULGAR ADEQUADAMENTE
1. Busque informações completas: antes de formar uma opinião, reúna o máximo de informações relevantes sobre o assunto ou pessoa a ser julgada.
2. Considere diferentes perspectivas: tente entender a situação do ponto de vista de outras pessoas envolvidas, buscando empatia e evitando julgamentos baseados em uma única visão.
3. Evite preconceitos e estereótipos: julgamentos baseados em preconceitos podem ser injustos e imprecisos. Procure analisar cada caso com base em seus próprios méritos, sem recorrer a generalizações.
4. Seja imparcial: procure ser objetivo em suas avaliações, evitando que suas emoções ou sentimentos pessoais influenciem o julgamento.
5. Considere o contexto: avalie as circunstâncias em que a situação ocorreu, pois o contexto pode ser crucial para entender o que aconteceu.
6. Discernimento: desenvolver a capacidade de discernir entre o certo e o errado, buscando orientação e sabedoria para tomar decisões justas.
7. Lembre-se da sua própria falibilidade: reconheça que todos cometemos erros e que seu julgamento também pode estar sujeito a imprecisões. Seja humilde e esteja aberto a reconsiderar suas opiniões.
8. Busque a orientação do Espírito Santo (sua consciência): em questões importantes, a busca por orientação divina pode ajudar a tomar decisões mais sábias e justas.
9. Evite julgamentos precipitados: dê tempo para que as situações se esclareçam e evite tirar conclusões precipitadas.
10. Julgue as ações, não as pessoas: procure focar em avaliar as ações específicas e suas consequências, evitando rotular as pessoas e generalizar sobre seu caráter.
JULGAR EM FILOSOFIA
Envolve uma abordagem crítica e reflexiva, considerando o contexto, a coerência, a validade, as implicações e o diálogo com outras perspectivas.
é importante distinguir entre:
Juízos de fato: referem-se a estados de coisas e podem ser verificados empiricamente, como "a água ferve a 100 graus Celsius".
Juízos de valor: referem-se a avaliações morais, estéticas ou práticas, como "a justiça é um valor importante".
É importante ressaltar que a filosofia não busca verdades absolutas, mas sim um aprofundamento da compreensão e uma busca por sentido e significado. O julgamento filosófico é um processo contínuo de reflexão e análise crítica, que visa aprimorar nossa capacidade de pensar e entender o mundo.
CONCEITO DE PREJULGAMENTO
"prejulgamento" significa um julgamento prévio, feito antes de se conhecer todos os fatos.
O termo "pre" é um prefixo que indica "anterioridade" ou "antecipação", e "julgamento" refere-se ao ato de julgar.
"Não devemos ter prejulgamentos sobre as pessoas antes de conhecê-las."
"O prejulgamento pode levar a decisões injustas."
"É importante evitar o prejulgamento em situações de conflito."
ATIVIDADES
Por que os julgamentos podem apresentar equívocos?
Como julgar adequadamente?
Por que os pré-juízos podem ser prejudiciais?
Complete a afirmação: “Se todos nós julgamos, o problema não é julgar, o problema é...”
Qual a diferença entre juízo de fato e juízo de valor?
DÚVIDA FILOSÓFICA
Surgem em momentos críticos de quebra e estranhamento.
Diferença sobre o tipo de dúvida: duvida filosófica x simples especulação sobre algo.
Exemplo: quem será o campeão brasileiro de futebol desse ano?
A dúvida filosófica (propriamente dita) surge de uma necessidade inquietante de explicação racional – para algo da existência humana.
A dúvida verdadeiramente filosófica é aquela que favorece o exercício fecundo da inteligência, do espírito, da razão sobre questões teóricas importantes para todos nós e que costumam ter uma enorme incidência prática em nossas vidas.
SUSPENSÃO DO JUÍZO
Condição importante – para duvidar de maneira filosófica – praticar a suspensão do juízo.
É uma espécie de duvidar sobre suas próprias crenças.
Pra que serve suspender temporiamente os juízos?
Para permitir que outras percepções e reflexões afluam a nossa mente.
Disposição para escutar – é muito importante.
Depois de seguirmos alguns passos é que podemos voltar a formular um juízo (isto é, a respeito de um tema investigado)
A dúvida filosófica não é, portanto, ociosa, não é uma especulação vazia e fútil.
Nem constitui uma prática meramente destrutiva (um questionar por questionar).
Uma chatice de quem não tem o que fazer (o chamado espírito de porco).
Busca uma explicação sólida e bem fundamentada.
Um conhecimento claro e confiável sobre o tema que é objeto de sua preocupação.
REGRA DA RAZÃO
É preciso ter um método.
Uma forma sistemática e organizada de realizar uma investigação sobre o assunto em questão.
Seguindo um conjunto de regras ou princípios reguladores.
A filosofia não tem um método exclusivo de investigação.
Ela varia conforme a tradição filosófica a qual pertence o pensador.
Existe um princípio ou regra básica que todo aquele que pretende filosofar deve seguir
“tudo aquilo que se afirma ou se nega deve ser demonstrado, isto é, explicado por meio de uma argumentação sólida”.
Para filosofar é importantíssima a regra da razão: você tem de dar razão – isto é, justificativas racionais para as suas opiniões.
Essas razões devem ser articuladas de maneira coerente, não contraditória, e, se houver alguma que seja duvidosa, a explicação cai por terra – você não conseguiu demonstrar sua opinião.
ANÁLISE E ENTENDIMENTO
1. A primeira virtude do filósofo, dizia Platão, é o espanto (thaumázein, em grego), a curiosidade insaciável, a capacidade de admirar e problematizar as coisas.
Interprete essa afirmação, relacionando-a com o que você entendeu sobre “a importância de duvidar e perguntar” e “a atitude filosófica”.
2. Analise as principais características da dúvida filosófica, buscando justificar a seguinte afirmação: “nem todo tipo de dúvida é filosófico”.
3. Que método utiliza a filosofia? Que regra básica não se deve esquecer para aprender a filosofar?