PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
Conversando com a Física
A tecnologia nuclear e os conflitos do século XX: alguma coisa
mudou com a “Era da Globalização?”
Thiago Lobo
O século XX ficou marcado pelo grande avanço científico e tecnológico e também pelos grandes conflitos e guerras que assolaram a humanidade.
Na década de 1940, a corrida armamentista foi responsável pelo desenvolvimento de novos mecanismos bélicos, dentre eles, o mais destrutivo já criado pelo homem, a bomba atômica. Durante a Segunda Guerra Mundial, as bombas denominadas “Little Boy” e “Fat Man” foram lançadas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ocasionando a morte de milhares de pessoas direta e indiretamente, devido à radiação.
A energia nuclear também passou a ser utilizada nos reatores das usinas nucleares, onde átomos são divididos (fissionados) e geram uma grande quantidade de energia que é utilizada para aquecer a água que circula no interior do reator, impulsionando, desta forma, as turbinas geradoras de energia como numa grande máquina a vapor.
Em muitos países, a energia nuclear é utilizada para complementar outras energias consideradas mais poluentes, como carvão e gás natural, e representa cerca de 15% de toda a energia produzida mundialmente.
O combustível utilizado tanto para a bomba atômica como para o reator nuclear é, em geral, o urânio 235, um isótopo instável do seu irmão mais comum, o urânio 238. A reação nuclear que representa a fissão do urânio pode ser representada pela equação:
235U+n =140Xe+94Sr+2n+E
Onde o átomo de urânio é bombardeado por um nêutron energético (partícula de carga nula que constitui os núcleos atômicos), sendo dividido em dois novos átomos, gerando então a liberação de dois nêutrons e uma grande quantidade de energia. Os nêutrons gerados bombardeiam os átomos de urânio vizinhos, gerando assim uma reação autossustentável denominada “reação em cadeia”. A soma das massas do lado direito da equação é menor que a massa do átomo de urânio original. Esta diferença de massa é transformada em energia através da famosa equação de Einstein “E=mc2”, onde c é a velocidade da luz no vácuo (c=300.000 km/s).
Apesar de ser considerada energia limpa, a energia nuclear oferece riscos à humanidade. Em abril de 1986, na Ucrânia, a explosão de um reator nuclear na usina de Chernobyl produziu uma nuvem radioativa que se propagou para além das fronteiras do país, ocasionando mortes por envenenamento radioativo e, posteriormente, um aumento expressivo no número de casos de câncer de tireoide. Destaque também para o recente acidente nuclear ocorrido em março de 2011, no Japão, onde um terremoto de 9 graus na escala Richter produziu um tsunami que atingiu a usina nuclear Fukushima Daiichi, provocando um vazamento radioativo.
A Segunda Guerra Mundial foi responsável por alavancar a tecnologia nuclear. As aplicações são vastas e vão desde a Medicina até a área energética, mas infelizmente o uso para fins bélicos ainda é uma realidade nos dias de hoje, confirmando que, como em qualquer tecnologia, existem sempre as vantagens e desvantagens da sua utilização. Portanto, resta à humanidade fazer uma análise criteriosa, pesando riscos e benefícios dessa poderosa fonte de energia.
Thiago Lobo Fonseca é professor de Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ. Graduado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Mestre e Doutor em Física pela Universidade Federal Fluminense – UFF.