PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
CONVERSANDO COM A FÍSICA
“Teoria da relatividade e relatividade da teoria”
Vitor Lara
Uma charge bastante interessante circulou na internet uns anos atrás, em 2011, assinada pelo cartunista canadense Doug Savage, que mostrava como físicos e filósofos pensam de maneira diferente. Retratava uma conversa entre eles, bebendo em um bar, travando o seguinte diálogo:
A charge e o diálogo podem servir para começarmos uma discussão que queremos propor a você, estudante de Ensino Médio.
Algumas pessoas dizem, com frequência, que confiam mais na Física, na Matemática ou nas Engenharias (Ciências da Natureza) do que nas Ciências Humanas. O motivo seria que as Ciências da Natureza são “exatas”, enquanto que nas Humanas parece que tudo é “achismo”.
Há um certo consenso de que, do ponto de vista da Epistemologia (parte da Filosofia que lida com a Teoria do Conhecimento, isto é, discute a validade lógica e a coerência de uma determinada teoria ou área do conhecimento), uma Ciência como a Física seja mais delimitada do que a Psiquiatria, por exemplo. Michel Foucault discute isso na sua obra A microfísica do poder1.
Mas muito se engana quem acha que nas Ciências da Natureza as questões políticas e sociais possam ser desprezadas. Há diversos exemplos, onde podemos constatar, estudando a história das Ciências em uma perspectiva sociológica, o quanto as questões
sociopolíticas são importantes para determinar a
estrutura de uma determinada Ciência, inclusive a ponto de suas pesquisas serem manipuladas em virtude dos interesses de empresas e grandes corporações.
E você, estudante, já havia pensado a respeito disso? O que acha de aproveitarmos essa proposta de diálogo interdisciplinar para nos aprofundarmos nessa discussão?
Vitor de Oliveira Moraes Lara é professor de Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ. Graduado, Mestre e Doutor em Física pela Universidade Federal Fluminense – UFF.
1 FOUCAULT, Michel. A microfísica do poder. I - Verdade e poder. 8.ed. Rio de Janeiro: Graal, 1979.