PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
NATUREZA EM TRANSFORMAÇÃO
A comunidade científica vem alertando sobre a urgente necessidade de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono, a fim de evitar que limites críticos do sistema climático sejam atingidos. A queima de combustíveis fósseis e o desmatamento estão entre as principais atividades humanas responsáveis pelo lançamento de dióxido de carbono na atmosfera.
Os habitantes das cidades, onde vive a maior parte da população mundial, estão particularmente vulneráveis às consequências de eventos climáticos extremos, como enchentes, inundações e ondas de calor.
Diante desse cenário, refletir a respeito dos efeitos da ação humana sobre a natureza se torna cada vez mais urgente à medida que as intervenções antrópicas se intensificam, produzindo impactos potencialmente irreversíveis.
A unidade “Natureza em transformação” está presente nos quatro volumes desta coleção de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Confira, no quadro a seguir, os capítulos de cada componente que contribuem para a abordagem
da temática desta unidade.
Aldeia Piyulaga dos Waurá, no Parque Indígena do Xingu, em Gaúcha do Norte, no estado de
Mato Grosso. Fotografia de 2024. A preservação da floresta é essencial para a sobrevivência
dessa comunidade.
NA PRÁTICA
Muitos especialistas consideram que os povos indígenas são os guardiões das florestas e que o conhecimento que possuem sobre as dinâmicas da natureza pode ser fundamental para enfrentar a crise ambiental. Ailton Krenak, filósofo e líder indígena brasileiro, aborda essa temática em seus livros. Em uma de suas obras, Krenak explora a concepção de natureza com base no modo de vida dos povos indígenas que habitam a floresta. Vamos conhecer essa visão?
Na floresta não há essa substituição da vida, ela flui, e você, no fluxo, sente a sua pressão. Isso que chamam de natureza deveria ser a interação do nosso corpo com o entorno, em que a gente soubesse de onde vem o que comemos, para onde vai o ar que expiramos. Para além da ideia de “eu sou a natureza”, a consciência de estar vivo deveria nos atravessar de modo que fôssemos capazes de sentir que o rio, a floresta, o vento, as nuvens são nosso espelho na vida.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. p. 54.
Indígenas Xavante realizam ritual de passagem da adolescência para a vida adulta na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis, no estado de Mato Grosso. Fotografia de 2022.
1. Com base na perspectiva de Ailton Krenak, compare a concepção de natureza dos povos indígenas com a das sociedades ocidentais contemporâneas.
2. Coletivamente, analisem a importância de as comunidades tradicionais, como os povos indígenas, protagonizarem os debates que buscam soluções para conter a crise ambiental.
O texto fornecido descreve o cenário atual das mudanças climáticas, destacando a responsabilidade humana e a necessidade de mitigação. Com base nos conceitos científicos relacionados a esse tema, aqui estão os pontos fundamentais para compreender ou responder a uma questão sobre este fragmento:
Causa Principal: O aumento da temperatura global é impulsionado pela intensificação do efeito estufa devido a atividades antrópicas.
Papel do CO₂: O dióxido de carbono é um gás que retém a radiação infravermelha (calor) na superfície da Terra.
Fontes de Emissão:
Queima de combustíveis fósseis: (Carvão, petróleo, gás natural) libera carbono armazenado há milhões de anos diretamente na atmosfera.
Desmatamento e Queimadas: Além de liberarem CO₂ durante a queima da biomassa, eliminam árvores que atuam como "sumidouros" de carbono através da fotossíntese.
Ações Mitigatórias: Para evitar que os "limites críticos" sejam atingidos, a ciência recomenda:
Substituição por energias limpas e renováveis (solar, eólica).
Reflorestamento e proteção de biomas naturais para reabsorver o excesso de CO₂.
Eficiência energética e redução do consumo de derivados do petróleo.
O que são atividades antrópicas?
São ações realizadas pelos seres humanos que alteram o meio ambiente, abrangendo modificações físicas, biológicas e químicas nos ecossistemas. Principais exemplos incluem agricultura, pecuária, industrialização, urbanização, desmatamento, queimadas e emissão de poluentes, resultando em impactos que podem ser negativos ou positivos.
https://www.youtube.com/watch?v=ys2J1XohMg8&t=9s
Geografia - Aula 16 - Transformação das Paisagens Naturais e Antrópicas
SOBRE AS RESPOSTAS
A concepção indígena de natureza baseia-se na reciprocidade, espiritualidade e interdependência, onde a terra é um ser vivo e parte da identidade coletiva. Em contraste, a sociedade ocidental contemporânea tende a ver a natureza como um recurso explorável, objetificado e separado da civilização humana, focando no desenvolvimento econômico.
Aqui estão as principais diferenças entre as duas concepções:
Relação com o Meio Ambiente:
Indígenas: A terra não é mercadoria, mas um território ancestral e sagrado. A relação é baseada no equilíbrio, sustentabilidade e uso responsável, essencial para a própria existência e preservação das florestas.
Ocidental: Predomina uma visão utilitarista, onde os recursos naturais são vistos como bens de consumo para produção, progresso e lucro, frequentemente levando à degradação ambiental.
Espiritualidade e Conexão:
Indígenas: A natureza é viva e possui entidades espirituais. Elementos da flora e fauna são parte de rituais e da cosmologia.
Ocidental: Predomina uma visão científica e racionalista, que desmistifica e separa o humano do meio natural.
Tempo e Sustentabilidade:
Indígenas: A gestão dos recursos considera os ciclos naturais e as gerações futuras, promovendo a conservação, mesmo com a caça e agricultura.
Ocidental: Muitas vezes pautada pelo imediatismo e consumo, resultando em desmatamento e esgotamento de recursos naturais.
Apesar do intenso contato com o mundo capitalista, muitos povos indígenas mantêm suas tradições, atuando como verdadeiros guardiões da biodiversidade.
ARTIGO
Como o conhecimento indígena pode ajudar a prevenir crises ambientais
Nemonte Nenquimo passou anos combatendo mineradores, madeireiros e empresas de petróleo que pretendiam se estabelecer na floresta amazônica.
Líder do povo indígena Waoroni do Equador, ela liderou um processo em 2019 que proibiu a extração de recursos em 500 mil acres de suas terras ancestrais - uma vitória judicial que deu esperança às comunidades indígenas em todo o mundo.
Mas Nenquimo, Campeã da Terra das Nações Unidas em 2020, não espera apenas salvar os Waoroni. Ao proteger a Amazônia, um importante estoque de gases de efeito estufa, ela espera salvar o planeta.
“Se permitirmos que a Amazônia seja destruída ... isso nos afeta como povos indígenas, mas também afetará a todas as pessoas por causa das mudanças climáticas”, diz Nenquimo. "A luta que fazemos é por toda a humanidade."
No Dia Internacional dos Povos Indígenas, especialistas afirmam que governos devem aprender com os exemplos ambientais dados pelas comunidades indígenas, algumas das quais viveram em harmonia com a natureza por milhares de anos. Caso contrário, corremos o risco de acelerar a tripla crise planetária que o mundo enfrenta devido às mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição.
"A perda de biodiversidade e as mudanças climáticas, em combinação com a gestão insustentável de recursos, estão levando os espaços naturais ao redor do mundo, de florestas e rios a savanas, ao ponto de não retorno", disse Siham Drissi, Oficial do Programa de Biodiversidade e Gestão de Terras do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). "Precisamos proteger, preservar e promover o conhecimento tradicional, o uso sustentável tradicional e a experiência das comunidades indígenas se quisermos interromper os danos que estamos causando - e, finalmente, salvar a nós mesmos."
Se permitirmos que a Amazônia seja destruída ... isso nos afeta como povos indígenas, mas também afetará a todos por causa das mudanças climáticas.
Nenquimo Nenquimo, leader of Ecuador's indigenous Waoroni people.
UMA TERRA ADOECIDA
O planeta abriga mais de 476 milhões de pessoas indígenas que vivem em 90 países. Juntas, elas possuem, administram ou ocupam cerca de um quarto das terras do mundo. É um território que se saiu muito melhor do que a maioria do resto da Terra.
Um relatório marcante de 2019 da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), apoiada pelas Nações Unidas, descobriu que o mundo natural está diminuindo a um ritmo sem precedentes na história humana. Cerca de três quartos do território seco do planeta foi "significativamente alterado" pelas ações humanas, o que colocou em perigo ecossistemas cruciais, incluindo florestas, savanas e oceanos, levando 1 milhão de espécies para a extinção.
Embora o declínio ambiental esteja acelerando em muitas comunidades indígenas, ele tem sido "menos severo" do que em outras partes do mundo, concluiu o relatório.
Especialistas indicam que isso se deve em parte a séculos de conhecimento tradicional e, em muitas comunidades, a uma visão predominante de que a natureza é sagrada. Esse conhecimento, “engloba formas práticas de garantir o equilíbrio do meio em que vivemos, para que possa continuar a prestar serviços essenciais como água, solo fértil, alimentação, abrigo e medicamentos”, afirma Drissi.
LÍDERES DA CONSERVAÇÃO
Em muitas partes do mundo, as comunidades indígenas estão na vanguarda da conservação, de acordo com um relatório recente apoiado pelo PNUMA. Na República Democrática do Congo, a comunidade Bambuti-Babuluko está ajudando a proteger uma das últimas áreas remanescentes de floresta tropical primária da África Central. No Irã, o povo Chahdegal Balouch supervisiona 580 mil hectares de matagal e deserto. E no extremo norte do Canadá, os líderes Inuit estão trabalhando para restaurar os rebanhos de caribus, cujos números estavam em declínio acentuado.
Incluir povos indígenas e comunidades locais na governança ambiental e aproveitar seus conhecimentos melhora sua qualidade de vida. Também melhora a conservação, restauração e uso sustentável da natureza, o que beneficia a sociedade em geral.