PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
GLOBALIZAÇÃO, EMANCIPAÇÃO E CIDADANIA
O termo globalização começou a ser utilizado nas décadas de 1980 e 1990 para descrever um fenômeno de internacionalização econômica que envolveu aspectos como o desenvolvimento de novas tecnologias de transporte e de comunicação e informação que transformaram as décadas seguintes.
Ao analisar as consequências locais e mundiais da globalização, observa-se que o início do século XXI tem sido caracterizado por uma intensificação das trocas comerciais e culturais entre nações, mas também pela ampliação das desigualdades econômicas, tecnológicas e sociais, com concentração de riqueza e aumento da pobreza. O avanço nos meios de transporte, por exemplo, facilitou a propagação de doenças, como a covid-19. No âmbito individual, tem sido registrado um crescimento de diversas formas de adoecimento mental causadas principalmente por depressão e ansiedade. Nesse contexto, movimentos voltados para a emancipação e a garantia do exercício da cidadania têm atuado com o objetivo de frear os impactos negativos desse processo.
A unidade “Globalização, emancipação e cidadania” está presente nos quatro volumes desta coleção de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Confira, no quadro a seguir, os capítulos de cada componente que contribuem para a abordagem da temática desta unidade.
Movimentação de passageiros na área de check-in do Aeroporto Internacional do Recife, no estado de Pernambuco. Fotografia de 2022. O elevado fluxo internacional de pessoas é um dos fatores que caracteriza o fenômeno da globalização.
NA PRÁTICA
A homogeneização ou padronização cultural, o excesso de individualismo, o consumo exacerbado e a preocupação constante com a autoimagem são fenômenos contemporâneos que estão direta ou indiretamente relacionados à globalização. Esses fenômenos permeiam as relações interpessoais e influenciam significativamente o modo de vida das sociedades ocidentais, bem como a construção das subjetividades. Alguns pesquisadores têm associado tais fenômenos ao crescimento de diversas formas de adoecimento mental.
Um estudo publicado em 2023 e conduzido por Michael Daly, da Universidade de Maynooth (Irlanda), e Lucía Macchia, da Universidade Cidade de Londres (Reino Unido), revelou o aumento, de 2009 a 2021, do sofrimento emocional em boa parte do mundo. De acordo com o estudo, que entrevistou 1,53 milhão de pessoas em 113 países, houve, no período analisado, aumento da percepção de angústia, tristeza, estresse, preocupação e raiva, sentimentos associados ao chamado sofrimento emocional. Apesar de ter sido constatado aumento significativo de sofrimento emocional em todos os grupos demográficos investigados, o estudo apontou, ainda, que as taxas são maiores nas populações mais desfavorecidas. Isso é explicado por desigualdades socioeconômicas que geram insegurança econômica, instabilidade política e coesão social reduzida.
Mulher diante do espelho, pintura de Pablo Picasso, 1937. A preocupação excessiva de homens
e mulheres com a autoimagem tem sido uma das causas de sofrimento emocional.
1. Reflita sobre como você lida com o individualismo, o consumo e a autoimagem. Compartilhe sua reflexão com os colegas.
2. Juntos, discutam como a angústia, a tristeza, o estresse e a preocupação podem afetar o dia a dia das pessoas.
3. Conte para seus colegas o que você costuma fazer para cuidar de sua saúde física e mental. Ouça também o que eles têm a dizer sobre essa mesma questão.