PÁGINA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
PERÍODO MEDIEVAL: FILOSOFIA E CRISTIANISMO
■Conceito histórico: o império romano sofreu ataques dos povos bárbaros (povos que habitavam fora das fronteiras do império).
■A queda do Império Romano do Ocidente, no século V, foi marcada por invasões bárbaras.
■Os povos germânicos foram os principais bárbaros a invadir o Império Romano.
■As invasões bárbaras contribuíram para a desintegração do Império Romano.
■Sucessivos e violentos confrontos levaram ao esfacelamento do poder de Roma.
■Desenvolve-se uma nova estruturação da vida social europeia que corresponde ao período medieval.
■A igreja católica exerceu importante papel político em meios a essas mudanças: conseguiu manter-se como instituição social/ Consolidou sua organização/ Difundiu a doutrina católica. / Incorporou e preservou muitos elementos da cultura greco-romana.
■Desempenhou a função de órgão supranacional, conciliador das elites dominantes contornando os problemas das rivalidades internas da nobreza feudal.
■Conquistou enorme quantidade de bens materiais.
■Dona de um terço das áreas cultiváveis da Europa ocidental (época em que a terra era a principal base de riqueza).
■No plano da cultura, configurou um quadro intelectual em que a fé cristã se tonou um pressuposto de toda vida espiritual.
■Isso marcou o pensamento filosófico produzido nesse período.
CRISTIANISMO
■Historicamente o cristianismo nasceu no interior do império romano.
■No ano 1 da nossa era.
■Com os seguidores dos ensinamentos de Jesus Cristo.
■Originalmente constituía uma corrente heterodoxa do Judaísmo (escrituras hebraicas) – VELHO TESTAMENTO.
■Heterodoxo: que contraria padrões, normas ou dogmas estabelecidos
■Judaísmo: religião do povo judeo
■Em seguida, incorporou a seu cânone religioso as escrituras gregas – NOVO TESTAMENTO.
■Nesse período o cristianismo se constituía como única representante da fé cristã.
■Era uma época de grande penetração da filosofia grega entre as autoridades e as camadas mais cultas da população de Roma e de suas províncias.
■Devido a essa relação (a doutrina cristã) integra elementos de diversas correntes de pensamento grego.
■Os padres da igreja e outros expoentes eclesiásticos tiveram como propósito explicar e justificar vários aspectos da sua fé.
■Não se poderia contrariar as verdades reveladas por Deus aos humanos ou as interpretações das escrituras sagradas que foram sendo estabelecidas pela igreja.
■Padres da igreja: primeiros pensadores e escritores da igreja Católica.
■Nos primeiros séculos, as obras de Platão e de Aristóteles haviam desaparecido.
■As principais concepções gregas absolvidas pelo cristianismo vieram de escolas filosóficas helenísticas e greco-romanas (estoicismo e neoplatonismo).
■Neoplatonismo fez uma síntese entre a filosofia de Platão e certos elementos místicos, como a metafísica hindu (considera como realidade suprema o UNO, no qual emana todas as outras realidades, sendo a primeira delas o logos – principal representante Plotino (205-270 a. C.)
DOUTRINAS DO ORIENTE [
■Séculos antes do surgimento da religião cristã viveram homens considerados sábios e profetas (grandes líderes espirituais de seus povos).
■Eles criticaram, reformularam e reinterpretaram, os livros sagrados, os mitos, os ídolos e muitas crenças arcaicas de suas civilizações.
■Exemplos: Zoroastro (na Pércia – atual Irã)/ Profetas Isaias, Jeremias, Ezequiel (na Palestina)/ Confúcio e Lao-Tsé (na China)/ Buda (na Índia), etc.
■Esse período ficou conhecido com axial (relativo a eixo), pois foram “plantados” novos eixos conceituais e morais em culturas tão distintas do Oriente e do Ocidente.
FÉ VERSUS RAZÃO
■O Cristianismo baseia-se na fé (crença irrestrita ou adesão incondicional às verdades reveladas por Deus a alguns intermediários – relatadas nas sagradas escrituras (bíblia) e interpretadas segundo autoridades da Igreja.
■A fé seria a fonte mais elevada das verdades reveladas, especialmente no que dizem respeito a sua salvação.
■“Toda verdade, dita por quem quer que seja, é do Espírito Santo” (SANTO AMBRÓSIO)
■ Toda investigação filosófica ou científica não poderia contrariar as verdades estabelecidas pela fé cristã.
■Os filósofos não precisavam mais se dedicar à busca da verdade, pois ela já teria sido revelada por Deus aos seres humanos. Restava apenas demonstrar racionalmente as verdades da fé.
■Alguns religiosos desprezaram a filosofia grega, por que viam nessa forma pagã de pensamento uma porta aberta para o pecado, a dúvida, o descaminho e a heresia.
FILOSOFIA MEDIEVAL CRISTÃ
Nesse contexto, desenvolveu-se uma produção filosófico-teológica que pode ser dividida em quatro momentos principais:
■Dos padres apostólicos (séculos I e II) – relativa ao início do cristianismo, quando os apóstolos e seus discípulos disseminaram a palavra de Cristo, sobretudo em relação a temas morais. Entre eles destacou-se Paulo de Tarso (ou São Paulo), pelo volume e valor literário de suas epístolas (cartas dirigidas às primeiras comunidades cristãs, escritas pelos apóstolos);
■Dos padres apologistas (séculos III e IV) – relativa à apologia, isto é, à defesa e ao elogio do cristianismo contra a filosofia pagã, realizada por padres e escritores eclesiásticos. Entre osapologistas destacaram-se Orígenes, Justino e Tertuliano (este último o mais intransigente nadefesa da fé contra a filosofia grega);
■Da patrística (de meados do século IV ao século VIII) – que pretendeu uma conciliação entre a razão e a fé, com destaque para Agostinho (ou Santo Agostinho) e a influência da filosofia platônica;
■da escolástica (do século IX ao XVI) – que buscou uma sistematização da filosofia cristã, sobretudo a partir da interpretação da filosofia de Aristóteles, com destaque para Tomás de Aquino (ou Santo Tomás de Aquino). Com ênfase nas questões teológicas,
Com ênfase nas questões teológicas, essa produção filosófica centrou-se em temas como o dogma da trindade, a encarnação de Deus-filho, a liberdade e a salvação, a relação entre fé e razão, entre outros. Vamos estudar neste livro os dois momentos mais importantes da filosofia medieval no contexto da cristandade: a patrística e a escolástica.
PATRÍSTICA: A MATRIZ PLATÔNICA DE APOIO A FÉ
A partir do século IV os primeiros padres da igreja empenharam-se na elaboração de diversos textos sobre a revelação da fé cristãs, cujo conjunto ficou conhecido como patrística.
Principal corrente tentou munir a fé de argumentos racionais.
Buscou a conciliação entre o cristianismo e o pensamento pagão.
SANTO AGOSTINHO (354-430)
Nasceu em Tagaste e faleceu em Hipona (África)
Ocupou o cargo de bispo da Igreja Católica.
Foi professor de retórica.
Foi influenciado por Cícero (orador e político romano)
Filósofo que praticava um ecletismo (acordo entre os ensinamentos de distintas escolas: platônica, aristotélica, hedonista, etc.)
Deixou-se influenciar pelo maniqueísmo (doutrina persa que afirmava que o universo era dominado por dois princípios opostos – o bem e o mal – em uma incessante luta entre si.
Mais tarde insatisfeito com o maniqueísmo, entrou em contato com o ceticismo e com o neoplatonismo.
Então cresceu e aprofundou-se uma grande crise existencial.
Foi nesse período crítico que se sentiu atraído pelas pregações de Santo Ambrósio (bispo de Milão)
Pouco depois converteu-se ao cristianismo e tornou-se seu grande defensor pelo resto da vida.
SUPERIORIDADE DA ALMA
Argumenta em favor da supremacia do espírito sobre o corpo (a matéria).
A alma foi criada por Deus para reinar sobre o corpo, dirigindo-o para a prática do bem.
O pecador, utilizando-se do livre-arbítrio, costumaria inverter essa relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma.
Provocaria a submissão do espírito à matéria (o que seria equivalente à subordinação do eterno ao transitório, da essência à aparência.
A verdadeira liberdade estaria na harmonização das ações humanas com a vontade de Deus e seria obtida pelo caminho ascendente que vai do mundo exterior dos sentidos ao mundo interior do espírito.
Ser livre é servir a Deus, pois o prazer de pecar é a escravidão.
Ser livre é fazer o que se deve, inspirado no amor verdadeiro de Deus.
BOAS OBRAS OU GRACA DIVINA?
O ser humano que trilha a via do pecado só consegue retornar aos caminhos de Deus e da salvação mediante a combinação de seu esforço pessoal de vontade e concessão, imprescindível, da graça divina.
Sem a graça de Deus, o ser humano nada pode conseguir.
Essa graça seria concedida apenas aos predestinados á salvação.
A questão da graça marcou profundamente o pensamento medieval cristão.
A doutrinação da predestinação à salvação foi posteriormente adotada por alguns ramos da teologia protestante.
Na mesma época de agostinho, outro teólogo, Pelágio, afirmava que a boa vontade e as boas obras humanas seriam suficientes para a salvação individual.- Seus ensinamentos constituíram a doutrina do pelagianismo, contra a qual se colocou Agostinho.
No concílio de Cartago de 417, o papa Zózimo condenou o pelagianismo como heresia e adotou a concepção agostiniana de necessidade da graça divina, doada por Deus aos seus eleitos.
O pelagianismo conservava a noção grega de autonomia da vida moral humana (noção de que o indivíduo pode salvar-se por si só – isto é, sendo bom e fazendo boas obras sem a necessidade da ajuda divina).
Essa noção chocava-se com a ideia de submissão total do ser humano ao deus cristão, defendida pela igreja.
“O fato de assim a Igreja ter se pronunciado por tal doutrina assinalou o fim da ética pagã e de toda filosofia helênica”.
Uma consequência dessa posição foi a ênfase que passou a ser dada ao “voltar-se a si mesmo”: seria apenas pelo cultivo da interioridade que se chegaria à visão das verdades essenciais, no entendimento de que é Deus o nosso mestre interior, o ser que irradia sua luz no mais íntimo da nossa alma.
ATIVIDADE – CONEXÕES
Reflita sobre o valor das boas obras, independentemente da questão religiosa.
Quanta importância você dá para as ações das pessoas?
Você entende que alguém que procura agir sempre corretamente e realizar boas obras, como ajudar os mais necessitados, cresce como ser humano, torna-se um ser melhor?
Ou você crê que as ações são apenas uma expressão do que a pessoa já é e tem, que as pessoas não mudam com as suas ações, sejam elas boas ou más?
LIBERDADE E PECADO
A vontade não é uma função específica ligada ao intelecto (visão grega).
Ela é um impulso que nos inclina, desde o nascimento, às paixões pecaminosas.
“Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero. Ora se faço o que não quero, não sou quem age, mas o pecado que habita em mim” (Romanos, 7, 19-20).
A liberdade humana derivaria de uma vontade viciada que alimenta o pecado (não dá razão que tende a discernir o que é bom do que é mal)
Imagem “Adão e Eva no Jardim do Éden. Segundo a tradição bíblica, os primeiros humanos cometeram o pecado original ao desobedecer a ordem divina de não comer da árvore proibida, sendo por isso, expulsos do paraíso.
Para Agostinho, desde então a humanidade carrega a culpa de ter sucumbido à tentação e aberto as portas para o mal.
Se contrapõe ao intelectualismo moral (pensamento socrático-platônico).
Há uma hegemonia da alma racional e que a pessoa pode chegar ao bem por meio da ascensão dialética, isto é, pela razão e o conhecimento.
Sobre o pecado ele comenta: “pela propensão imoderada para os bens inferiores, embora sejam bons, se abandonam outros melhores e mais elevados”.
O ser humano não pode ser autónomo (deliberar livremente sobre sua conduta, pois sempre estará inclinado ao mal e a praticar o pecado).
Somente com a graça divina ele poderá se salvar.
PRECEDÊNCIA DA FÉ
Diferença entre fé cristã e razão.
A fé nos faz crer em coisas que nem sempre entendemos pela razão.
“Creio tudo que entendo, mas nem tudo que creio também entendo. Tudo que compreendo conheço, mas nem tudo que creio conheço” (De magistro p. 319)
“É necessário crer para compreender”. A fé ilumina os caminhos da razão.
A fé revela verdades ao ser humano de forma direta e intuitiva. Depois vem a razão, desenvolvendo e esclarecendo aquilo que a fé já antecipou.
Para ele há uma precedência da fé sobre a razão.
INFLUÊNCIA HELENÍSTICA
Agostinho sofreu influência do pensamento helenístico.
DO MANIQUEÍSMO: herdou uma concepção dualista no âmbito moral – simbolizada pela luta entre o bem e o mal/luz e trevas/ alma e corpo
Nesse sentido dizia que o ser humano tem uma inclinação natural para o mal (para os vícios/para o pecado)
Já nascemos pecadores e somente com um esforço consciente pode nos fazer superar essa deficiência natural.
Considerava o mal como afastamento de Deus.
Defendia a necessidade de uma intensa educação religiosa.
DO CETICISMO: a desconfiança dos dados dos sentidos – que apresenta uma multidão de seres mutáveis, fluentes e transitórios.
ANÁLISE E ENTENDIMENTO
Em que constituiu a filosofia patrística? Qual era seu objetivo?
Explique a relação que Agostinho estabelece entre corpo e espírito.
Que papel tem a vontade humana no pensamento agostiniano?
De que maneira o conceito de graça divina, defendido por Agostinho, rompe com a ética pagã?
CONVERSA FILOSÓFICA
Os pensadores cristãos confrontaram frequentemente fé e razão, cada um à sua maneira. Santo Anselmo (1035-1109), por exemplo, dizia” não busco compreender. Por isso creio, porque, se não cresce, jamais compreenderia”. Santo Agostinho, por sua vez foi mais enfático.: “É necessário crer para compreender”.
Como é pra você? Você primeiro acredita em alguma coisa ou ideia para conseguir entende-la ou necessita compreendê-la antes de acreditar nela?
Qual a diferença entre crer e entender?